domingo, 17 de janeiro de 2010

O Ramo Leopoldo

Antônio Soares Raposo da Câmara, filho do Gonçalo-morgado e de d. Ana Maria Soares de Melo, nasceu em Natal, possivelmente por volta de 1789 ou anteriormente. Usava o nome de Antônio Francisco da Câmara e, em julho de 1822, na moção oficial com que os povos da Capitania do Rio Grande pediram a conservação de D. Pedro de Bragança na Regência do Brasil, assinou com a patente de "cadete".

Casou a 9 de fevereiro de 1803 com d. Luzia Gomes dos Praxedes, filha de Manuel do Nascimento Nogueira e Costa e de d. Helena Gomes de Moura, falecido a 10 de abril de 1824.


Houve apenas um filho: Manuel Leopoldo Raposo da Câmara, nascido a 8 de setembro de 1810 e morto a 4 de novembro de 1905, na cidade de Ceará-Mirim.Antônio Soares Raposo da Câmara morreu nas eras de 70.


Manuel Leopoldo Raposo da Câmara casou em 1845 com d. Antônia Carrilho do Rego Barros, filha de José Fernandes Carrilho e de Rosa Carrilho do Rego Barros, nascida em 1828 e falecida em 15 de outubro de 1918. Dezoito filhos.


Morreram sem descendência: Maria Rosa, aos 15 anos, Antônio, em 1850 com três anos, José 1851- 53, Antônia, 1857- 60, Manuel Rosa, 1860-3, José, morto em 1855 com seis meses, Adolfo, 1861-2, Manuel, 1868-78, Luís, 1870-87.


O ramo Leopoldo-Raposo-da-Câmara estendeu-se pela vasta prole dos 9 restantes filhos de Manuel Leopoldo-Antônia Carrilho.


Antero Leopoldo Raposo da Câmara (1846-1910) casou com d. Maria Dionísia Seabra de Melo, filha de Joaquim Romão Seabra de Melo e de d. Maria Dionísia, filha de José Fernandes Carrilho e d. Rosa Carrilho do Rego Barros.


Maria Rosa, casada com Des. Luiz Manuel Fernandes Sobrinho, faleceu em 14/5/1960. Nascera em 1874.


1 °) Luís Potiguar Fernandes. Bel. Solteiro;


2°) Maria Rosa c/c Pedro Leiros;


Filho: Geraldo.


3°) Aguinaldo, falecido.


4°) Benevenuto, falecido criança.


5°) Pautila, falecida criança.


6°) Humberto, c/c Edit Ponteial.


Dionísia - casada com Cícero Franklin de Souza:


1 °) Oswaldo, acadêmico Direito;


2°) Otávio, acadêmico Medicina.


Antônia - viúva de Manuel Clodoaldo de Melo:


1 °) Clarisse – 2°) Carmem.


Alcina, viúva de Alberto Luís Adolfo Sprenger.


Altiva


Abelardo.


Rosa, casada com Joaquim Leopoldo Raposo da Câmara, viúvo de D. Raimunda Oliveira Fernandes ou Raimunda Fernandes da Câmara.


Irene, c/c Elídio Cavalcanti Pessoa Filho, natural de Recife: Filhos - Joaquim Elídio - Efigênio - Jorge - Elídio Neto - Frederico - Rosa Maria (falecida) Eliane. Em segundas núpcias com Joaquim Pinheiro - não houve filhos.


Lídia - c/c Leônidas Ribeiro. Sem filhos.


Dolores - c/c Ovídio Pereira. Filhos: Joaquim lnácio e Aida c/c Dr. Odilon da Silveira, do Recife, pais de: Marcos e Roberto.


Raimundo - c/c d. Olímpia. Enviuvou e casou com Conceição, não tendo filhos.


Augusto Leopoldo Raposo da Câmara (1856-1941). Bacharel em 1880. Deputado provincial e estadual. Deputado Federal. Vice-presidente do Estado. Jornalista. Advogado. Casou a 4/10/1890 com D. Maria Pia Pereira, filha do Comendador Joaquim lnácio Pereira e de d. Maria Benevides Seabra de Melo, falecida em Natal, a 15 de outubro de 1923.


Mário Leopoldo Pereira da Câmara. Bacharel. Casado com Beraldina Schultz Ribeiro. Filho: Fernando.


Maria Conceição da Câmara c/c Raimundo.


Abelardo Leopoldo Pereira da Câmara c/c Eugênia de Faria Caldas. Filho: Maurício.


Paulo Leopoldo Pereira da Câmara. Engenheiro. Viúvo de d. Maria Cristina Veras Leite. Filhos: Maria Pia e Vera Maria.


Aluisio Leopoldo Pereira da Câmara. Médico. Casado c/Sancha Melo. Filhos: Ana Maria.
Cícero Leopoldo Raposo da Câmara (1862 + ?). Casado com d. Paulina, filha de Paulino Carrilho do Rego Barros e, em segundas núpcias com d. Maria Salomé Carrilho.


Alzira - casada com Adolfo Varela. Filho: Raimundo.


Luís - Alberto e Lauro falecidos.


Noemi c/c Jorge Câmara. Filhos: Newton - lvone - Roberto - Eleonora, Gustavo, Joaquim - Danilo e Lêda. Cyrene, (falecida aos 13 anos).


Augusto Leopoldo Raposo Câmara Sobrinho, oficial da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte.


Francisco


Maria Celina - casada.


José


Clóvis falecido 18/5/49. Era casado com Durvalina Emerenciana e tinha 4 filhos.


Vanda casada. Sem filhos.


Do segundo matrimônio com d. Maria Salomé:


Geraldo


Paulino


Margarida


Lúcia


Alfredo Leopoldo Raposo da Câmara (1865 + ? ) casou com d. Maria Emília de Paiva Câmara, filha de Francisco Ribeiro de Paiva. Quatorze filhos:


Raimunda viúva do Bel. Miguel Ferreira de Castro. Teve 21 filhos, dos quais são vivos 9.


Maria Julieta (freira dorotéa);


Estelita casada c/Celso Moura (três filhos)


Cecília - solteira.


Lutigardes c/c Colombo Dantas. Falecida (sete filhos)


Adalgiza c/c Heitor Pacheco Dantas (dois filhos) enviuvando se casou com Ranulfo Pacheco Dantas (três filhos).


Francisco de Sales (falecido com 3 meses)


Guiomar c/c Manuel Borges (dois filhos) falecida.


Maria Philomena (Araci) solteira.


Djanira (freira Dorotéia)


Elisabet (freira Dorotéia)


Dulce (falecida com um ano)


Inez segunda mulher, de Manuel Borgês (três filhos).


Ana c/c Apolônio Lima.


Joaquim Leopoldo Raposo da Câmara (1867 + 6/6/905) casado em 1 as núpcias com d. Raimunda de Oliveira Fernandes, filha de Benevenuto Fernandes de Oliveira, e em 2as, núpcias com Rosa, filha de Antero.


Adália - Freira da Sagrada Família.


Maria Dulcina c/c o Bel. Cleto Ligório Soares da Câmara, no dia 22 de julho de 1914, na cidade de Natal. Filhos:


Levi Carlos Soares da Câmara nasceu a 22/8/1915, cursou a Escola de Direito do Recife, c/c Eunice Bastos de Sousa na cidade de Salvador (Bahia) no dia 22 de agosto de 1946. Residia em Natal. Faleceu em 10 de fevereiro de 1947.


Maria Nicéa Soares da Câmara, nasceu em 4 de junho de 1921. Curso ginasial completo. Casou a 30/9/43 com Bernardo Lucien de Broutelles, natural da Bahia. Filhos: Marlene, Helene e Bernardo.


Jorge Fernandes da Câmara c/c Noemi Raposo da Câmara (Com filhos).

Heli, oficial da Brigada Policial de S. Paulo c/c Tosca Roco. Falecido.

Gastão Fernandes da Câmara: Engenheiro. Solteiro.


João Leopoldo Raposo da Câmara (n.1871) casado com Rebeca Morizete.


Grace


Jobn c/c Jail


Alice c/c Robison Herbert


Nilo c/c Adalgisa Couceiro.


Rosa Amélia da Câmara (1857-1888) Foi a 1 a mulher do Des. Luiz Mel. Fernandes Sobrinho.
Pedro Leopoldo Raposo da Câmara (n. 1863) Casado com d. Rosa Carrilho, filha de Paulino Carrilho do Rego Barros.


Antônia que se casou com Luís Pimenta (com filhos)Braz casado com d. Amélia Cerqueira (com filhos).


Maria Salomé casada com seu tio paterno Cícero Leopoldo Raposo da Câmara.


Aline casada com José do Rêgo (com filhos)


Valdemar Teófilo Leopoldo Raposo da Câmara (n. 1859) casado com D. Alice Adour, pais de

Jaime Adour da Câmara.


Virginia


Irmá


Manuel casado e com dois filhos. Alcides - solteiro. Edgar - casado. Jaime Adour da Câmara (1898-1964)


Gilda


Carmem


Sílvia.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Ramo do Morgado

Luís Soares Raposo da Câmara, o mais velho dos filhos de Gonçalo, herdou a morgadia na ilha de S. Miguel que seu pai trazia sempre arrendada. Luís nasceu em 1770 e morreu em Natal a 8 de junho de 1853. Casara com D. Maria d' Apresentação de quem houve vasta prole. Tenho notícia de oito rebentos. D. Maria d' Apresentação era filha do sargento-mor Antônio de Barros Passos e de sua mulher d. Bernardina Rita da Assunção. Esse sargento-mor era natural do Recife de Pernambuco e como comandante das Armas governou a Capitania do Rio Grande. Enviuvara e contraíra segundas núpcias com d. Inácia Juliana de Oliveira, filha de Salvador Rebouças de Oliveira, natural da vila do Assú e de d. Rosa Maria de Oliveira, de Natal.

Luís Soares Raposo da Câmara enviuvou a 19 de novembro de 1838 não mais casando. Filhos:

Francisco - 2 de julho de 1794.

Joaquina - 14 de abril de 1797.

Joaquim - 7 de setembro de 1798 e morreu a 2 de setembro de 1855.

Inácio - 10 de fevereiro de 1802.

Maria - 7 de outubro de 1804.

José - 4 de janeiro de 1806.

Maria. 30 de outubro de 1810.

Francisca - 16 de janeiro de 1815.

Francisco, o primo-nato, morreu criança. O direito ao morgado passou para Joaquim Soares Raposo da Câmara. Aqui se desfaz um ponto que na família era tido como absoluto. Afirmava-se que Joaquim Soares era filho de Gonçalo-Morgado quando está provado ser neto. O ramo do Morgado é o seguinte, desde Joaquim até 1931.

Joaquim Soares Raposo da Câmara nascido a 7 de setembro de 1798, faleceu em Natal a 2 de setembro de 1855. Casou com d. Josefa Francisca, filha do capitão Francisco Pereira de Brito e de d. Ana Maria de Abreu, todos moradores na vila de Extremoz. Filhos:

Luiz - 15 de fevereiro de 1822. Morreu criança.

Joaquim - nascido em 1828. Foi o Morgado.

Antônio - 13 de julho de 1833.

José - 14 de junho de 1835. Casou e deixou um filho. Fora de Natal. Fez a guerra do Paraguai.

Francisco de Paula. Foi sacerdote.

Maria Salomé, falecida em Natal a 11-11-1922 com 91 anos. Havia casado em 6 de fevereiro de 1851, com José Barbosa Aranha, da Bahia, filho de José Joaquim Aranha e Ana Joaquina Barbosa, e faleceu em 28-7-1858.

Joaquim Soares Raposo da Câmara, nascido em 1828, faleceu a 10 de maio de 1878. Casou a 27 de agosto de 1854, com d. Guilhermina Benvinda de Souza Caldas, filha de Antônio José de Souza Caldas, da vila de Santarém patriarcado de Lisboa e de d. Josefa Maria Nazaré. Neta paterna de José de Souza Caldas e de d. Ana Joaquina de Jesus, da vila de Santarém e neta materna do tenente Carlos José de Vasconcelos e de d. Josefa Maria da Conceição, todos .os outros naturais de Natal.
Em segundas núpcias, Joaquim Soares se casou a 2 de junho de 1870, com Ana Carolina de Almeida e Silva, viúva de Joaquim Gomes da Silva. Não houve filhos do segundo matrimônio.

Do primeiro, são os seguintes:

Antônio - morreu criança.

Joaquim - 1855-1930. Casou com d. Ana Carolina Pinto de quem não houve filhos. Neste Joaquim Soares Raposo da Câmara, terceiro do nome, terminou a varonia em linha reta do "Ramo Morgado".

Josefa casada com Rodolfo Ferreira de Goes. Não tiveram filhos. Ambos já falecidos.

Benvinda, morreu solteira. Nascera a 2 de abril de 1860.

João Carlos - casado com d. Geracina Leonila, filha de lnácio Ferreira de Goes e de D. Maria Joaquina de Goes. Falecido em 27 de março de 1933. Filhos:

Anfilóquio Carlos - bacharel. Casado em primeiras núpcias com d. Áurea Barros. Casado em segundo matrimônio com d. Jandira Jupira de Paula. Sem filhos de ambos os casamentos.

Cleto Ligório - bacharel. Casado com d. Maria Dulcina, filha de Joaquim Leopoldo Raposo da Câmara. Filhos:

Levi Carlos.

Maria Nicéa.

Lélio Augusto - bacharel solteiro.

Balbina (viúva) casada com Francisco de Paula Soares da Câmara. Filha: Francisca de Paula Soares da Câmara.

Elvira (viúva) casada com Francisco Ferreira de Goes. Sem filhos..

Adauto morreu criança.

Maria, casada com João Francelino Pereira da Mata: um filho com o mesmo nome paterno e um outro com o nome de Sálvio. Falecida.

Francisco de Paula Soares da Câmara, que se ordenou, teve filhos bastardos. Legitimou-os. Foram:

Ana - casada com Bonifácio Francisco Pinheiro da Câmara, filho do coronel Bonifácio Francisco Pinheiro da Câmara e de d. Joana Cândida Borja Pinheiro da Câmara.

Francisco de Paula - casado com Balbina Soares Raposa da Câmara, filha de Joaquim Soares e de d. Guilhermina Benvinda de Souza Caldas.

Maria - morreu em um acidente.

Antônio e José, filhos de Joaquim Soares e Josefa Francisca, não permitiram que lhes visse traço da vida. Com estes nomes finda a linha direta do major Luís Soares Raposo da Câmara, o ramo varonil com direito ao morgado. O morgado na ilha de São Miguel foi vendido nas eras de 1870 pelo capitão Joaquim Soares, pai do último do nome, o lIIº.

Dos outros filhos de Luís Soares Raposo da Câmara apenas colhi dados sobre as duas Marias e lnácio.

Inácio - casou a 27 de julho de 1823 com d. Joaquina Francisca Soares de Moraes, filha do capitão Manuel José de Moraes e de d. Rosa Maria de Viterbo. Filho: José - 7 de abril de 1833.

Maria Adelaide - casada com Joaquim José Pinto, natural da cidade de Goiázes, filho do capitão José Pinto da Fonseca, natural do bispado de Vizeu e de d. Felisberta Joaquina de Oliveira, natural de Goiás. Filhos: José - 19 de setembro de 1827; Joaquim - 09 de outubro de 1828.

Maria d' Apresentação - casada com João Pereira de Azevedo, da freguesia de S. Nicolau, da cidade de Porto, filho de Manuel Pereira de Azevedo e de D. Mariana Margarida de Azevedo. O noivo tinha 22 e a noiva 16 anos. O casamento realizou-se "na casa de residência do Governador da Província" a 31 de agosto de 1821. Há o tratamento de alferes para o nubente.

Joaquina - 22 de janeiro de 1822.

TEREZA SOARES RAPOSO DA CÂMARA

Tereza, filha de Gonçalo Soares Raposo da Câmara e de d. Inez Romana de Melo, nasceu em Natal aos 18 de agosto de 1812. Foram seus padrinhos o capitão Luís de Albuquerque Maranhão e sua irmã, d. Delfina Rita d' Albuquerque Maranhão.

Casou com o português Manuel Ferreira de Lima. Um filho do casal foi o bacharel Antônio Augusto Ferreira de Lima, secretário da presidência da Província do Rio Grande do Norte na administração do dr. Henrique Pereira de Lucena, nomeado a 31 de Maio de 1872, empossado a10 de julho do mesmo 1872 e que deixou o governo a 17 de novembro de 1872.

O Dr. Antônio Augusto Ferreira de Lima faleceu desembargador no Superior Tribunal do Estado do Rio Grande do Norte.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Os Raposo da Câmara II

MANUEL RAPOSO DA CÂMARA

Manuel Raposo da Câmara falecera antes de 1783, quando sua mãe d. Antônia da Silva fez o testamento, pois menciona os filhos vivos e entre eles não figura Ma¬nuel. Consegui provas da sua existência nos registros de balizamentos onde era ritual mencionar-se avô e avó. Aqui estão os dois documentos:

Manuel - Batizado a 10 de janeiro de 1771, filho legítimo de Manuel Raposo da Câmara e de d. Maria d' Anunciação de Ramos. Neto paterno de Manuel Raposo da Câmara, natural da ilha de São Miguel e de d. Antônia da Silva e neto materno de Gonçalo Soares Raposo da Câmara e de d. Ana Maria, ambos da Paraíba assim como a mãe.

José - nasceu a 20 de setembro de 1779, filho legítimo de Manuel Raposo da Câmara e d. Constança de Albuquerque. Neto paterno de Manuel Raposo da Câmara, natural da ilha de S. Miguel e de d. Antônia da Silva, da freguesia de Nª Sª da Apresentação de Natal, e neto materno de Manuel de Melo e Albuquerque e de d. Ângela de Souza.

Anterior é o nascimento de Felipa

Felipa - filha legítima de Manuel Raposo da Câmara, do Rio Grande do Norte e de sua mulher d. Maria d' Anunciação de Ramos, da cidade da Paraíba, moradores nesta freguesia. Neta paterna de Manuel Raposo da Câmara, da ilha de São Miguel e de sua mulher d. Antônia da Silva, natural da cidade de Natal, e materna de Gonçalo Soares da Câmara, do Natal e de sua mulher d. Ana Maria do Nascimento, natural da Paraíba e moradores nesta freguesia, nasceu no dia 10 de maio de 1767.

Os filhos de Manuel Raposo, segundo do nome, foram:

Felipa - 10 de maio de 1767.

Maria

Miguel

Manuel - batizado a 10 de fevereiro de 1771.

José - batizado a 20 de setembro de 1779.

Manuel Raposo da Câmara, pelo visto, casou duas vezes. A primeira com uma filha de Gonçalo Soares Raposo da Câmara, sobrinho legítimo, por ser filho de seu irmão Vitorino. Casado com d. Maria d' Anunciação de Ramos, em 1779 já surge ao lado de sua segunda mulher, d. Constança de Albuquerque, filha de Manuel de Melo e Albuquerque e de d. Angélica de Souza. O simples enunciado dos cognomes dispensa a prova de nobreza.

Felipa, José, Maria e Manuel não tiveram a bondade de permitir que lhes enxergasse vestígio de crônica e descendência.

Do terceiro Manuel Raposo sei apenas que em outubro de 1804 estava em Natal e tinha a patente de alferes.

FILHAS DO PRIMEIRO MANUEL RAPOSO DA CÂMARA

D. Antônia da Silva em seu testamento menciona as filhas. Eram cinco: Quitéria, Marcelina, Rosa, Josefa e Maria, todas solteiras quando do falecimento da mãe. Josefa Raposo da Câmara chegou aos oitenta e cinco anos. Faleceu de palma e capela a 05 de dezembro de 1809.
Marcelina do Espírito Santo casou com Ambrósio Manuel de Albuquerque Melo, de quem houve um casal:

Ana - nascida a 24 de fevereiro de 1762.

João - nascido a 23 de fevereiro de 1769.

Ambrósio Manuel era filho de Manuel de Melo e Albuquerque e de d. Angélica de Souza, sogros de Manuel Raposo da Câmara, segundo do nome, em seu casamento número dois. Marcelina era cunhada do marido.

OBS: O casamento de Marcelina com Ambrósio Manuel foi feito a 26 de abril de 1759.

De Rosa, Quitéria e Maria, ignoro o paradeiro. Quitéria parece ser a mais velha e possivelmente juntou-se às Onze Mil na pureza do seu estado. Rosa herdou a vinha avoenga na ilha de S. Miguel. Não sei se o odor dos claretes ilhéus tentou algum "bom-sangue" setecentista. De Maria nada, absolutamente, achei...

Marcelina do Espírito Santo faleceu em Natal a 24 de outubro de 1805. O registro de óbito atesta a idade de cinqüenta anos. De Ambrósio Manuel perdi a pista logo depois de viúvo...

GONÇALO SOARES RAPOSO DA CÂMARA

Gonçalo, primogênito de Vitorino da Silva Câmara, ficou chamado comumente "Gonçalo morgado" e foi o patriarca da família. A mais alta percentagem dos Raposo da Câmara pertence ao seu sangue. Até ele expiravam as lendas da família. Já em 1718 Manuel Raposo da Câmara era membro do Senado da Câmara de Natal...

Pelos documentos que compulsei é impossível dizer onde nasceu Gonçalo. Em diversos assentamentos de batismo encontro "natural da freguesia de Nossa Senhora das Neves da cidade da Paraíba" e noutros o banal e rápido "natural desta freguesia". As provas dum e doutro lado contrabalançam qualquer estimativa. Casou três vezes.

No registro de Felipa, filha de Manuel Raposo II, genro de Gonçalo, há uma d. Ana Maria do Nascimento. Existe outra d. Ana Maria Soares de Melo e uma d. Inez Tomásia de Melo que foi a derradeira Sulamita desse Salomão tropicalesco. (a tinta) "D. Ignes morreu em Natal a 8 de outubro de 1846, com mais de 60 anos".

Parece ter havido ligação anterior ao casamento porque esse primeiro se dá em 1778 e o primogênito Luís morre em 1853 com 83 anos, o que lhe denuncia o nascimento para 1770.

O assentamento de Casamento de Gonçalo-morgado assim diz:

"Aos trinta de junho de mil setecentos e setenta (a tinta) "sessenta?" e oito, as sete horas da manhã, pouco mais ou menos, nesta Matriz, corridos os banhos nesta Matriz e nas mais partes de suas naturalidades, e residências, dispensadas por sua Excelência Reverendíssima nos quatro graos de consangüinidade atingente ao terceiro, de licença minha, na presença do Padre Coadjutor Bonifacio da Rocha Vieira se cazarão com palavras de presente Gonçalo Soares Raposo da Câmara, filho legítimo de Vitorino Raposo e de Joana Maria de Jesus, com dona Ana Maria Soares de Melo, filha legítima de Dionísio da Costa Soares e d. Eugenia de Oliveira e Melo, e logo receberão as benções conforme os ritos da Santa Madre Igreja, etc. Pantaleão da Costa Araujo, Vigário do Rio Grande"

Dionísio Soares da Costa, ou vice-versa, era sargento-mor e ocupava o altíssimo posto de Provedor da Real Fazenda na Capitania do Rio Grande.

Os filhos de Gonçalo-Margado são:

Caetana Maria, nascida a 3 de maio de 1778. O assento dá 1768, o que deve ser engano. "casou com Ricardo Witshire, que morreu aos 60 a 26-1823; no inventário de sua mãe figura em 1º”.
Luís Soares Raposo da Câmara, morreu aos 83 anos, a 8 de junho de 1853. Nascera em 1770. Era major.

Dionísio (a tinta) "da Costa Soares, capitão, nasceu a 17-7-1774. Fixou-se no vale do Ceará-Mirim". "4° avô do Senador João Câmara".

Manuel (viúvo em 1808) casou a 10-7-1804 com Anna Joaquina de Souza, filha do capitão Antônio José de Souza Oliveira e Joana Francisca de Melo.

Antônio deve ter nascido mais ou menos em 1789, pois seu filho único nasce em 1810. "em julho de 1822 tinha a patente de Cadete. Casado já em 1808".

Joaquim Torquato, nascido a 27 de fevereiro de 1788.

Maria, nascida a 29 de março de 1793. "16 anos em 1808".

José Januário (a tinta) com 12 anos em 1808.

Joana, nasceu a 12-4-1776.

Maria, batizada a 24 de agosto de 1811.

João, batizado a 14 de julho de 1814.

Tereza, nascida a 18 de agosto de 1812.

Joaquim, batizado a 19 de junho de 1819. O pai morrera em fevereiro. A criança foi batizadas com "hum dia de vida". Foram padrinhos o capitão José Alexandre Gomes de Melo e sua mulher d. Joana Evangelista de Vasconcelos.

Parece, entretanto, que Gonçalo casou apenas duas vezes. Luís, o primogênito, é filho de d. Ana Maria Soares de Melo. Esta senhora faleceu a 12 de setembro de 1808. Joaquim Torquato, José Januário, Maria, Caetana, Antônio, são filhos do primeiro matrimônio com d. Inez Tomásia de MeIo (que também aparece chamada "Inez Romana") há a descendência nascida no século XIX, Maria, Tereza, João e Joaquim...

Gonçalo Soares Raposo da Câmara nasceu em 1736. Pertenceu parcamente aos movimentos políticos da Capitania. Com os Albuquerque Maranhão tinha privança. Somente a idade lhe privou de fazer parte da revolução de 1817. Luís de Albuquerque Maranhão era seu compadre, padrinho de Tereza e a ma-drinha foi uma mana dos Maranhões, d. Delfina Rita d' Albuquerque Maranhão.
Gonçalo-Morgado atingiu serenamente aos oitenta e três anos, como afirma seu registro de óbito que descobri, assim como o de seu casamento, na papelada esparsa do arquivo do Instituto Histórico.

"Faleceu da vida presente aos dezanove de fevereiro de mil oitocentos e dezanove o tenente Gonçalo Soares Raposo da Câmara casado com d. Inez Tomásia de Melo, morador nesta cidade, de idade de oitenta e três anos, mais ou menos, com todos os sacramentos da Igreja, encomendado pelo reverendo vigário Manuel José Fernandes, aos vinte dias foi sepultado das grades para cima, envolto em habito de São Francisco, e para constar fiz este assento no qual assino. Francisco Antônio Lumache de Melo - Vigário Interino".

O que deixa margem para a suposição de um terceiro casamento, anterior ao com d. Ana Maria Soares de Melo, é ter uma filha de Gonçalo, d. Maria d' Anunciação de Ramos, casado com seu tio-avô Manuel Raposo da Câmara, no do nome.

O casamento de Gonçalo com d. Ana Maria é de 1778. Luís, o mais velho, é de oito anos antes e no registro de batismo de seus filhos se dá corria filho de Gonçalo e d. Ana Maria Soares de Melo, o que afasta a possibilidade de ter sido filho doutra procedência. Três anos antes de Luís nascer e onze anos antes de Gonçalo casar, a 1 ° de maio de 1767, nasce uma neta deste, Felipa, filha de Manuel Raposo da Câmara, no e duma sua filha, a misteriosa d. Maria d' Anunciação de Ramos. No assento eclesiástico desta Felipa se lê:

"Neta paterna de Gonçalo Soares Raposo da Câmara, do Natal e de sua mulher d. Maria do Nascimento, natural da Paraíba".

No registro de Manuel, outro filho do II Manuel Raposo da Câmara, o menino, batizado a 10 de janeiro de 1771, um ano depois do nascimento do primogênito de Gonçalo-Morgado, aparece como neto materno de "Dona Ana Maria", que será a mesmíssima Soares de Melo. E esta Ana Maria do Nascimento não será a mesma? Não mais é possível identificá-la porque a documentaria carece de importância. Fica a ponta da questão... o nome verdadeiro da ilustre mamãe de d. Maria d' Anunciação de Ramos.

Gonçalo-Mortado amava muito este nome bíblico. Deparei com duas Marias, uma de 29 de março de 1793 e outra de 24 de outubro de 1811. Nenhuma poderá ser a d' Anunciação Ramos, que já era mãe vinte e seis anos antes do nascimento da primei¬ra das duas manas Marias...

JOSÉ JANUÁRIO RAPOSO DA CÂMARA

José Januário, filho de Gonçalo Raposo, digo, Soares Raposo da Câmara e de d. Ana Maria Soares de Melo, casou com d. Rita Maria da Conceição, filha de Joaquim José da Câmara e de d. Maria Antônia de Oliveira, neta paterna de Antônio da Câmara e Silva e de D. Ana Maria de Torres e neta materna de Francisco Xavier de Oliveira e de d. Ana Maria de Oliveira. "faleceu José Januário a 26-3-1848".

José, nascido a 12 de maio de 1816.

Eugênia, nascida a 23 de dezembro de 1822.

A 7 de outubro de 1871 casa em Natal José Januário Soares da Câmara com d. Maria Eufrasina de Souza.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os Raposo da Câmara do RN


A família Raposo da Câmara foi fundada no Rio Grande do Norte pelo português Manuel Raposo da Câmara, na Ilha de São Miguel, nos Açores, onde possuía vinhedos e olivais.

Quando chegou a Natal o fidalgo Manuel Raposo da Câmara? Deveria o ter feito em princípios do século XVIII. Em julho de 1718 o fidalgo ilhéu já pertencia ao grave Senado da Câmara de Natal. Aí se condensava a nata dos sangues azuis da Capitania.

Sei que adquiriu terras foreiras. Em 1719 encontro um registro de carta de doação de chãos concedidos ao tenente Manuel Raposo "na Ribeira desta Cidade", pagando o Foro anual de160 réis. Em outubro de 1724 o sargento-mor Joam de Souza Nunes requer "huns xãos", dizendo-se "senhor e possuidor de humas moradas de casas terreas citas nesta Cidade Junto a Igreja do Rosário dos Pretos, compradas ao capitão Manuel Raposo". Em 1742 vejo diversos requerimentos.

Teria vindo sozinho o morgado açoriano? Há uma tradição de família que afirma ter vindo uma trindade. Possivelmente um dos manos é esse tenente Miguel Raposo a quem o Senado da Câmara concede, pelo foro anual de 160 réis, uma data de chãos e casas "na Ribeira desta Cidade", no ano de 1738.
Esse Miguel morreu viúvo a 10 de fevereiro de 1760, com sessenta e seis anos de idade. O outro irmão pode ter sido um Antônio Raposo, com a patente de capitão. Deste Antônio Raposo só sei informar que lhe morreu a mulher, dona Tereza, a 24 de julho de 1790, com cinqüenta anos. Quando o capitão Antônio Raposo entendeu de morrer é que não descobri.

MANUEL RAPOSO DA CÂMARA, SEU CASAMENTO E DESCENDÊNCIA.

Manuel Raposo da Câmara tomou gosto pela terra amável que o recebeu. Pos-suindo terras, criando gado, metido nas pequeninas andanças políticas do Senado da Câmara, integrou-se em Natal com alma e corpo.

Manuel Raposo da Câmara casou em Natal com dona Antônia da Silva. Era, naturalmente, de família limpa de sangue e boa de nome. Doutra maneira não se casaria um morgado legítimo. Demais, em todos os papéis que manuseei a senhora Manuel Raposo da Câmara é tratada sempre por dona e escrito em extenso. Dona Antônia da Silva me parece uma mulher enérgica, forte, decidida, exemplar da fidelidade ao marido e da ignorância às letras.

Manuel Raposo da Câmara morreu antes de 1783. Foi sepultado debaixo do púlpito da Igreja Matriz. Dona Antônia da Silva veio a falecer a 25 de julho de 1785. Seu assento de óbito assim reza:

"Faleceu da vida presente D. Antônia da Silva, mulher viúva, de Idade de cem anos, pouco mais ou menos".

Os filhos do casal foram: Victorino da Silva, Antônio da Câmara, Manuel Raposo, Quitéria, Marcelina, Rosa, Josefa e Maria.

Manuel Raposo morreu antes da mãe.

Dona Antônia da Silva fez testamento aprovado a 23 de outubro de 1783. Um seu sobrinho, alferes Antônio José Barbosa, escreveu "por a testadora não saber ler nem escrever". O testamento foi aberto no dia de sua morte. Uma testemunha da cerimônia é um Sr. Manuel Esteves da Câmara. Há uma declaração de que a morta "sepultou-se perto de seu marido".

"Declaro que fui casada com Manuel Raposo da Câmara, já falecido, de cujo matrimônio tenho ainda vivos os filhos seguintes - Vitorino da Silva, Antonio da Câmara, Quitéria, Marcelina, Rosa, Josefa e Maria.

"Declaro que meu marido tinha na ilha de São Miguel uma vinha que herdou por herança de sua avó, que por sua morte me coube.

"Declaro que na mesma ilha tem um Morgado que por morte de meu marido ficou para o meu filho Vitorino com a obrigação de dar anual para alimentos a mim dois môios de trigo, e a cada irmão, meus filhos, um môio, o que nunca deu, e que os ditos meus filhos procurarão e cobrarão por minha morte.

"Peço e rogo a meu filho Antonio da Câmara e a meu neto Gonçalo Soares Raposo da Câmara que por serviço de Deus e por me fazerem mercê queiram ser meus testamenteiros”.

VITORINO DA SILVA CÂMARA

O morgado Vitorino da Silva Câmara casou com d. Joana Maria de Jesus Monte. Ambos eram do Rio Grande do Norte, informa o Barão de Studart.

Da vida social do primogênito dos Raposos da Câmara não há indícios de muita ação. Pude apurar os seguintes filhos:

GONÇALO - casou três vezes e uma vasta prole cercou-o de glória patriarcal.

PEDRO - batizado a 7 de fevereiro de 1751.

LOURENÇA MARIA DE JESUS que se casou com José da Fonseca Soares Silva, tendo três filhos: Joaquim, José e Miguel. Todos usaram o nome paterno. Joaquim da Fonseca Soares Silva casou a 23 de maio de 1831 com D. Tereza Leopoldina Barbosa, nascida a 29 de março de 1812 e falecida a 11 de maio de 1890. Essa d. Tereza Leopoldina era filha do capitão-mor Joaquim José Barbosa e de d. Isabel Pereira de Oli¬veira, tronco de larga progênie cearense.

Vitorino da Silva Câmara, pela disposição do apelido, é pai de um João Paulo da Silva que se casou com d. Antônia Maria da Conceição cujo filho Ricarti Soares Raposo da Câmara, casa a 26 de setembro de 1848 com d. Maria José do Nascimento, filha de João Pedro da Silva e de d. Francisca Maria da Conceição. Bem poderão ser esses senhores, João Paulo e João Pedro, manos de pai e mãe e filhos de Vitorino.

ANTÔNIO DA CÂMARA E SILVA

Antônio da Câmara e Silva, o filho segundo de Manuel Raposo da Câmara e de d. Antônia da Silva, nasceu em 1721 porque ao morrer no dia 9 de março de 1808 tem oitenta e sete anos feitos. Casou com d. Ana Maria Torres, natural do Aracati e filha do capitão Manuel Frazam Caldeira Torres e de d. Francisca Gomes de Sá, da fregue¬sia de Russas, no Ceará. O capitão Manuel Frazam Caldeira Torres, enviuvando casou com d. Rita Antônia Pereira e morreu em Natal aos oitenta e seis anos de idade, a 28 de outubro de 1835.

Antônio da Câmara houve os filhos:

Francisco Xavier da Câmara e Silva, batizado aos 21 de abril de 1769.

José Joaquim da Câmara e Silva, nascido a 10 de agosto de 1769.

Joaquim José da Câmara e Silva.

José Francisco, nascido a 25 de novembro de 1770.

Francisco Xavier da Câmara e Silva fez vida militar. E, 1796 era sargento. Casara com d. Ana Clara, filha de José Fernandes e de d. Ana Antônia da Conceição. Deste Consórcio houve:

Joaquim, batizado a 24 de fevereiro de 1792.

Morrendo d. Ana Clara, Francisco Xavier convolou segundas núpcias com d. Maria Josefa, filha de Francisco Delgado, da vila do Recife de Pernambuco e de d. Ana Soares, de Natal. Francisco Delgado era filho de Francisco Delgado Barbosa, de Goiana e de Micaela Teixeira da Rocha, de Muribeca, nas terras pernambucanas. D. Ana Maria Soares era filha de Luís Soares Corrêa, natural da cidade do Porto, em Portugal e de d. Lourença de Araújo, de Natal. Do segundo casamento de Francisco Xavier houve uma filha:

Ana - Batizada a 25 de outubro de 1807.

José Joaquim da Câmara e Silva casou com d. Quitéria Tereza de Jesus, filha do sargento Francisco Xavier Barbosa e de d. Rita Maria de Jesus. José Joaquim seguiu carreira militar por algum tempo. Em 1795 era cabo-de-esquadra, lugar altíssimo naquele delicioso fim de século XVIII. O casal teve vários filhos:

Joaquim, 8 de outubro de 1792.

João, 23 de outubro de 1794.

Manuel, 17 de outubro de 1795.

Manuel, 22 de agosto de 1799.

Damiana, 26 de dezembro de 1802.

Joaquim José da Câmara e Silva casou com d. Maria Antônia de Oliveira, filha de Francisco Xavier de Oliveira e de d. Ana Maria da Conceição. Tenho notícia de três filhos:

Francisco Xavier, nascido em 1800 em São Gonçalo, avô do Cardeal D. Jaime. Joaquim José, nascido a 9 de agosto de 1803; batizado a 10 de outubro seguinte; casou a 4 de maio de 1826 com d. Maria Inácia, filha do Capitão José Rebouças de Oliveira e de d. Antônia Joaquina.

Úrsula faleceu a 10 de novembro de 1807, com um mês.

De José, filho de Antônio da Câmara e Silva, nada pude obter.

A 2 de abril de 1847 casa-se em Natal João Paulino da Câmara, com d. Ana Rita Gadelha, filha de Antônio de Albuquerque Gadelha e de d. Isabel Maria das Virgens. O noivo era filho de Antônio Francisco da Câmara e de d. Francisca Antônia das Chagas. Inclino-me a julgar Antônio Francisco da Câmara como filho de Antônio da Câmara e Silva.

Faleceu em Jardim de Angicos Joaquim José da Câmara, a 22-5-1895, com 97 anos, 11 filhos, 143 netos, 180 bisnetos, 5 tetranetos, pai de José Rebouças de Oliveira Câmara.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O maestro Mário Tavares

Maestro Mário Tavares regendo. (Acervo Gláucia Maranhão Tavares)

Mário Tavares na Alemanha, em frente a casa de Beetlhoven. (Acervo Gláucia Maranhão Tavares)

Descendente de Fabrício Gomes Pedroza e Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão figuras tão ligadas a história de Macaíba e do Rio Grande do Norte, Mário Tavares nasceu em 18 de abril de 1928, em Natal, sendo seus pais o Sr. Jorge Tavares, filho de Amélia Augusta de Albuquerque Maranhão Tavares e Olimpio Tavares; e de Júlia Palma Tavares. Teve dois irmãos, Túlio e Carlos Tavares.



Proveniente de uma gens melômana e artista, vale destacar que seus tios-avós Alberto Maranhão foi o “Mecenas” da cultura potiguar; Joaquim Cipião foi excelente violinista, diretor do Teatro Alberto Maranhão e da Escola de Música; Amaro Barreto Filho foi pianista renomado, formado em Paris e professor da Escola de Música do Rio de Janeiro; seus primos Jorge Barreto Maranhão e Maria Augusta Tavares pianistas e sopranos, anfitriões de tertúlias sedutoras, para não citar outros tantos.



Mário Tavares tinha oito anos quando encontrou em cima da cama ao voltar do colégio, um violoncelo “de autor”, de tamanho “três-quartos”, presente da avó Amélia Tavares. O plano da avó era claro. Como Túlio, o irmão mais velho de Mário, era pianista e Carlos, o do meio, tocava violino, faltava o violoncelo para compor o trio. Contudo, Mário afirmou certa vez a um amigo: “Meu negócio não era violoncelo. Meu negócio era harmonia, improvisar no piano, ler, estudar e, sobretudo orquestrar”.



Aos 12 anos já integrava a orquestra de Salão da Rádio Educadora de Natal, a ZyB – 5, dirigida por Carlos Lamas e Carlos Faracchi.



Mário Tavares foi aluno do Colégio Santo Antônio Marista e estudou música com o maestro italiano Tomaso Babini, passando em seguida uma temporada no Recife, aprimorando conhecimentos antes de embarcar para o Rio de Janeiro em 1947.



No Recife Mário Tavares então aos 16 anos seguindo os rastros do mestre Babine, integrou-se a Orquestra Sinfônica, fundada três anos antes por Vicente Fitipaldi. Na capital pernambucana foi influenciado pelo frevo, cujo expoente nas composições era o Nelson Ferreira, de quem se tornou amigo.



Com o objetivo de concorrer a uma vaga de violoncelista na Orquestra Sinfônica Brasileira, Mário Tavares viajou para o Rio de Janeiro, naquele Estado foi examinado pelo regente Eugen Szenkar, Nydia Soledade e Iberê Gomes, sendo contratado em abril para integrar a então recém fundada OSB, da qual esteve ligado até 1960.



Consagrado pelos seus virtuosos dons musicais, reconhecido internacionalmente, Mário Tavares destaca-se como interprete da obra de Villa Lobos. Aceitando o convite da esposa do compositor – D. Arminda, empreendeu a revisão da obra sinfônica e regeu a maioria das obras inéditas até a morte do maestro em 1959.



O maestro Mário Tavares dirigiu a Orquestra Sinfônica do Teatro do Rio de Janeiro durante 38 anos. Regeu também alguns dos mais famosos solistas nacionais e internacionais como Aldo Parisot, Nelson Freire, V. Ghiorgiu, Giorgy Sandor, Mtslav Rostropovich, Paula Seibel e Nina Beylina, Foi o principal maestro no Festival Internacional da Canção Popular da TV Globo, de 1967 a 1975 e do Festival de Música Contemporânea, de 1969 a 1970.



Em junho de 2002 o maestro foi homenageado com o lançamento do CD “Mário Tavares” que reúne quatro composições de sua autoria: “Potiguara”, “O Concertino”, “Sonata nº1” e “Rio, a Epopéia do Morro”. Obras estas escritas entre 1959 e 1965.



Mário Tavares era casado com Gláucia Maranhão Tavares e pai de três filhos e avô de 6 netos. Visitou Natal pela última vez em 2001. Morreu numa quarta-feira, dia 05 de fevereiro de 2003, aos 74 anos. O sepultamento ocorreu no Memorial do Carmo no Rio de Janeiro.
O maestro Mário Tavares afirmava que para ele não existiam fronteiras entre os sons clássicos e os populares. “Música boa é música bem feita”. A frase era o resumo de uma carreira que nunca se prendeu a rótulos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Família do professor Caetano

Caetano José da Silva Costa, filho de Pedro Nolasco Pereira da Costa e Ana Caetana Coelho da Silva Costa. Maria Anunciada Botelho da Costa, filha de José Botelho Pinto e Maria Botelho Pinto.

Caetano Costa e Maria Anunciada tiveram;

F.1 Maria Amélia Costa *13-05-1885 +22-08-1973

N. Esdras Lima c.c. Maria Vitória de Lima.

F.2 José Augusto Costa *30-01-1889 +01-01-1961, c.c. Maria Esmeraldina Trigueiro Costa * 10-07-1891 +21-11-1974;

N. Beatriz Costa Ferreira c.c. Poti Aurélio Ferreira;

N. Bianor Trigueiro Costa c.c. Dahil de Andrade Costa;

N. Brinaldo Trigueiro Costa;

N. Boanerges Trigueiro Costa c.c. Elizabeth Marinho Costa;

N. Bridenor Trigueiro Costa c.c. Ana Pinheiro Costa;
N. Bertilha Costa Padilha c.c. Vitor Padilha

N. Baltamir Trigueiro Costa c.c. Neyde Tavares Trigueiro Costa;

N. Berenice Costa Ferreira c.c. Pery Ferreira;

N. Brinauria Costa Menezes c.c. Ubaldo Menezes de Melo;

N. Branilze Costa de Sousa c.c. Francisco Ferreira de Souza (Chico Bento);

N. Brasileide Costa Trigueiro;
N. José Augusto Costa Filho c.c. Zélia Ferreira Costa.

F.3 Maria do Carmo Costa *11-03-1891 +16-04-1974, casada em 10-05-1910
Antônio Marinho de Oliveira;

N. Abigail Marinho Bezerra da Silva c.c. Francisco Bezerra da Silva;

N. Moiséis Marinho de Oliveira c.c. Nazira de Albuquerque Maranhão;

N. Maria Alice Fernandes c.c. Francisco Fernandes Costa;

N. Clarisse Marinho Josuá;
N. Judith Marinho Dantas;
N. Elizabeth Marinho Costa c.c. Boanerges Costa.

F.4 Caetano José da Silva Costa Junior *25-04-1892 +20-04-1979, c.c. Maria Carlota da Rocha Costa;

N. Valdemar Costa c.c. Altamira Simpson;

N. Moises da Rocha Costa c.c. Giselda Pinheiro Costa;
N. Ana Anunciada da Rocha Costa.

F.5 Euclides Pinto da Costa *13-05-1885 +22-08-1973, c.c. Maria Aline de Mesquita.

N. Ranilson Costa c.c. Luiza Josuá Costa;

N. Agenor Carneiro de Mesquita Costa;

N. Caetano José da Silva Costa Neto;
N. Maria Eunice Costa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Professor Caetano

Nascido em 19 de agosto de 1858, na Imperial Vila de Paparí – hoje Nísia Floresta, filho de Pedro Nolasco Pereira da Costa e Ana Caetana Coelho da Silva Costa, Caetano José da Silva Costa chegou à Macaíba em 1869, onde recebeu mais tarde o título de Delegado Escolar da 1ª Classe do Interior, no Atheneu Potiguar. Posteriormente, em 1878, foi nomeado por ato da Diretoria Geral da Instrução Pública para exercer o magistério. Em 13 de fevereiro de 1886, foi nomeado por mérito Delegado Escolar.


Envolto aos grandes acontecimentos que antecederam a abolição da escravatura, o professor Caetano destacou-se como orador dos clubes abolicionistas de Macaíba e Natal, sendo o da capital presidido pelo padre João Maria. Colaborou no jornal “Oito de Setembro”, órgão da imprensa católica fundado para defender a causa abolicionista.


Republicano, o professor Caetano foi membro do clube republicano fundado por Pedro Velho. Com o advento da proclamação da República, o clube foi convertido em Partido Republicano Federal e o professor Caetano, devido ser naquele instante histórico, o elemento neutro da política local, agradando tanto a oposição quanto a situação, foi indicado por Pedro Velho o 1° Intendente de Macaíba, sob o regime republicano, tomando posse em 06 de dezembro de 1889, no Paço Municipal da rua da Cruz, recebendo harmoniosamente o governo do velho capitão João Lourenço de Oliveira Mendes, monarquista de quatro costados!

Sua permanência a frente do executivo municipal durou pouco, o jogo de interesses e a politicalha do momento, fez com que ficasse menos de um mês no poder, sendo logo substituído pelo Dr. Francisco de Paula Sales, Senhor do Ferreiro Torto por casamento com D. Suzana Teixeira de Moura.

Religioso por índole, em 1897 integra-se ao movimento Batista do Estado. Ainda em julho de 1897, ingressa na Maçonaria entrando na Loja “21 de Março”, da qual chegou a Venerável Mestre.

Intelectual reconhecido, o professor Caetano Costa foi fundador junto a Henrique Castriciano, João de Lyra Tavares, Eloy de Souza, Augusto Tavares de Lyra, Auta de Souza e Alberto Maranhão do Grêmio Literário “Tobias Barreto”. Foi idéia do professor Caetano a fundação da Filarmônica “Tobias Barreto”, cujo instrumental ele conseguiu com o Cel. Manuel Maurício Freire e indicou o maestro Enéias Hipólito Dantas, para regente.

Muito ligado aos movimentos populares, o professor Caetano foi membro perpétuo da Liga Artístico Operária São José, em Macaíba e da Liga Operária Norte-Rio-Grandense, fundada por Augusto Leite. Pertenceu ainda a outras sociedades; Previdência Natalense de Auxílio Mútuo, Conselho da Igreja Presbiteriana de Natal e Sociedade do Colégio Americano Batista. Foi agraciado com o título de “Chefe de Escoteirismo”, concedido pela Associação Brasileira dos Escoteiros do Alecrim.

Destacamos sua contribuição ao magistério, por meio do seu projeto que definiu novo material didático objetivando, através de exercícios dirigidos, melhorar a caligrafia dos alunos que possuíam letra ruim. O escritor Octacílio Alecrim, que destaca em suas memórias as aulas do velho mestre.

Em setembro de 1901, professor Caetano foi nomeado Agente Fiscal do Imposto de Consumo, de 1ª circulação – 2ª secção do RN, para os municípios de Macaíba e São Gonçalo do Amarante, cargo no qual permaneceu até 1921, quando foi transferido para a Alfândega de Natal. Sua neta Maria Alice Fernandes, destaca em bela crônica evocativa, que durante o cumprimento desse encargo, jamais multou alguém, procurando orientar, ensinando a todos a forma correta de proceder.

Aos 63 anos, faleceu o professor Caetano José da Silva Costa aos 04 de junho de 1925. Seu sepultamento no cemitério do Alecrim congregou a oposição e situação da política macaibense, em um momento histórico de paz. Antônio de Andrade Lima e Manoel Maurício Freire, caminharam lado a lado irmanados na dor da perda do conselheiro e amigo leal que tanto se dedicou a Macaíba.
Primeiro professor a governar Macaíba, professor Caetano foi homenageado com seu nome numa das principais ruas da cidade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Rua da Conceição ou Nossa Senhora da Conceição?!

Em Natal

No Rio de Janeiro/RJ
Em Juazeiro do Norte/CE

Até o ano de 1858, existiam em Macaíba apenas duas ruas: a Rua da Pátria e a Rua da Conceição. A Rua da Conceição é uma das principais artérias do município da Macaíba. Foi aberta para se chegar ao tabuleiro onde seria erguida a Capela da Conceição, a mando do major Fabrício Gomes Pedroza, que doou o terreno para construção da capela, futura matriz. Já nasceu com este nome.

Em 1882, ela aparece em um antigo mapa-projeto feito para uma estrada de ferro que atravessaria a cidade, partindo da capital rumo à cidade de Ceará - Mirim. Pode-se observar as poucas residências com quintais enormes.

Os documentos mais antigos; escrituras, inventários e cartas aparecem sempre com a denominação toponímica de Rua DA CONCEIÇÃO e nunca Rua Nossa Senhora da Conceição. “Conceição” é Concebida sem o pecado original. Logo a denominação liga-se ao titulo dogmático, simples tradição portuguesa que lembra a concepção de Maria. Temos em Natal uma rua também chamada de Rua da Conceição, fica na Cidade Alta. O antigo Colégio da Imaculada Conceição, em Natal, era comumente conhecido por Colégio da Conceição.

No seu livro Província Submersa, o escritor macaibense Octacílio Alecrim afirma: a casa com gradil onde nasci fica na RUA DA CONCEIÇÃO.

A Rua da Conceição era o caminho natural para o porto da Macaíba, descendo pela Rua da Pátria (Nair Mesquita) até alcançar a Rua da Praia (Teodomiro Garcia).

Em 1883 foi inaugurado o antigo prédio dos correios imperiais. O primeiro estabelecimento comercial aberto na Rua da Conceição foi à casa bancaria Paula, Eloy & Cia. onde, posteriormente, funcionou a Intendência (prefeitura) , local da recepção ao presidente Washington Luiz, durante sua visita a cidade.

A Rua da Conceição abrigou a elite dos tempos imperiais. O comendador Umbelino de Mello, homem de prol e de mando que atravessava em carruagem, as alamedas formadas pelas mungubeiras da rua, em direção a sua casa na qual foi assinada a libertação dos escravos do município. O Coronel Prudente Alecrim e sua esposa, Donana, deleitando os transeuntes com os acordes do antigo piano alemão pleyal. Isabel Freire da Cruz (Madrinha Beleza) ensaiando os “dramas”, peças encenadas pelos jovens da cidade e a figura austera de Eulália Freire.

E, mais recentemente, Alice de Lima e Melo (secretária perpétua da prefeitura), Graziela Mesquita e sua pensão da Esperança, Erneide Magalhães com sua caridade, Cornélio Leite e o primeiro cartório, Dr. Virgílio Dantas, sua esposa D. Terceira Alecrim e seus 14 filhos! Maria Zebina Alecrim, sentada, imponente, na frente do seu casarão ao lado do marido Alberto Silva dono da padaria Brasil, a mais antiga da cidade.

É a rua das grandes movimentações políticas, das gincanas, dos desfiles cívicos, das movimentações religiosas e da tradicional feira local, desde a sua fundação funcionando aos sábados. Atualmente abriga grande parte do comercio local.

Foi rua de muitos jardins no passado e abriga ainda o mais antigo da cidade, cultivado por Donana Alecrim. É único, sem as dimensões e as variedades de flores, crotões e rosas francesas de outrora.


Essa e a história da Rua da Conceição, convertida pela memória atual descomprometida com a tradição do passado, em Rua Nossa Senhora da Conceição como se existisse erro na denominação histórica. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Comendador Umbelino de Mello

Umbelino de Mello, como era conhecido na Macaíba do passado, é uma figura histórica controversa. Nascido na cidade do Aracatí, no vizinho Estado do Ceará, no ano de 1844. Era filho do Coronel Thomaz Antônio Guedes de Mello e de Débora Carolina de Gouveia Mello. Veio para Macaíba já casado com Maria Amélia da Veiga Pessoa de Mello, a convite de seu irmão o Cel. Thomaz Antônio de Mello, sócio capitalista da Firma Paula, Eloy & Cia., para assumir a gerencia da mesma.

Como presidente do Clube Abolicionista “Padre Dantas”, libertou os escravos da Vila da Macaíba, em 08 de janeiro de 1888, ao passo que como sucessor do Deputado Eloy Castriciano de Souza, na chefia da Casa Paula, Eloy & Cia., apresentou-se como um péssimo administrador, levando à falência uma empresa vencedora.

Acumulando a chefia da casa bancária, com a de líder político de Macaíba, Umbelino de Mello não teve a destreza de separar os dois campos e, gastou para manter-se no poder, o seu dinheiro e a fortuna alheia. Chefe político e líder do Partido Liberal, na vigência do mando do Dr. Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, Umbelino de Mello recebia telegramas, num tempo de comunicação cara e difícil. Todos os assuntos relativos à política, economia e a Família Imperial, chegavam primeiro à Macaíba, verdadeiro “feudo” do Comendador Umbelino.

A decretação de falência da casa bancaria Paula, Eloy & Cia., fez com que o comendador fosse arrastado numa maré de dividas. O comendador ficou devedor de uma quantia imensa aos herdeiros do Deputado Eloy de Souza; João Câncio, Henrique Castriciano, Eloy Castriciano e Auta de Souza, ocasionando litígios memoráveis na justiça estadual.

Prestigiadíssimo politicamente durante o Império do Brasil, Umbelino Freire de Gouveia Mello foi agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, no grau de Comendador, em ato do próprio Imperador Pedro II.

Foi o Comendador Umbelino Freire de Gouveia Mello, que se encontrando no Recife em novembro de 1889, telegrafou diretamente ao Presidente de Província Cel. Antônio Basílio Ribeiro Dantas, informando-lhe sobre a proclamação da República e sugerindo, uma rápida negociação com os elementos da oposição, para a formação de um governo que congregasse os monarquistas.

A proclamação da República e a ascensão política da família Albuquerque Maranhão, levaram ao ostracismo o dignitário imperial, que ainda conseguiu se eleger Deputado a primeira constituinte Estadual, em 1891. Contudo, depois do golpe que dissolveu aquela assembleia, se viu pobre e graças à intervenção do governador Joaquim Ferreira Chaves, foi nomeado Administrador dos Correios do Rio Grande do Norte, cargo no qual faleceu em outubro de 1904. Seus restos mortais foram transladados para a Matriz de Macaíba e repousam no jazigo de Thomaz de Mello, seu pai.

Do seu casamento com D. Maria Amélia da Veiga Pessoa teve Ana Pulquéria Pessoa de Mello Alecrim (Donana Alecrim) e por ela avô do escritor Octacílio de Mello Alecrim, Thomaz Evaristo Pessoa de Mello casado com Maria das Dôres Pelinca de Oliveira, Débora Umbelina Pessoa de Mello Monteiro casada com João Batista do Rêgo Monteiro e Maria Júlia Pessoa de Mello (Julinha) solteira, além de vários outros filhos, falecidos em tenra idade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Jessé Pinto Freire: vereador, deputado estadual, deputado federal por três-Iegislaturas consecutivas e senador da República. Nasceu em Macaíba no dia 18 de novembro de 1918, mas se iniciou no comércio e na política em Natal. "Quando destaco as minhas origens humildes, não é por demagogia, que abomino, e sim, para incentivar milhares de rapazes pobres que têm uma pátria livre na qual todos podem prosperar desde que estudem e se capacitem para os difíceis misteres da vida", afirmava.


E o que se pode classificar como um homem duplamente vitorioso: como empresário e como político. Já deu várias voltas ao mundo, como representante do País e presidente da Confederação Nacional do Comércio. Só não conheceu a China, parte da África, Austrália e Nova Zelândia.


Jessé Freire teve uma infância pobre. Porém, foi uma infância alegre, livre e liberta. Seu pai, Nelson Geraldo Freire foi barbeiro em Macaíba e um leitor voraz. Sua mãe d. Maria Augusta Botelho Freire era de prendas domésticas. Logo cedo teve que se empregar para ajudar na manutenção da família. Chegou a Natal no dia 4 de outubro de 1930, dia da Revolução! Em Natal foi comerciário, bancário, revisor do jornal "A República" para depois se instalar como pequeno comerciante e proprietário da sorveteria "Eldorado". Começou dai a sua carreira de empresário vitorioso.


Foi estudante pobre. Morou em pensão, estudou a noite, com luz de lamparina, perseguindo um objetivo: vencer na vida. Foi presidente da Confederação Nacional do Comércio reeleito por três vezes consecutivas - e senador da República. Para chegar até onde chegou teve que vencer inúmeros obstáculos e caminhar pelos mais diversos caminhos sempre em busca de um ideal que ele perseguia desde a sua infância pobre em Macaíba. Nunca negou a sua origem humilde, nem esqueceu os velhos companheiros do tempo de pensão. Orgulhava-se de ter sido pobre, apesar do grande império empresarial que construiu.


Chegando a Natal, vindo de Currais Novos, em 1930, foi empregado do comércio trabalhando na firma de Gonçalo Gomes. Depois foi funcionário da antiga Companhia Força e Luz. Em seguida, funcionário do Banco do Povo, para, finalmente, ser revisor de "A República" junta­mente com Aluízio Alves, Raimundo Nonato Fernandes, Waldemar Araújo, Rômulo Wanderley, Lil"u e Paulo Luz. Depois de atravessar toda essa fase difícil de sua vida resolveu ingressar no comércio e fundou a "Sorveteria Eldorado", em 1942.


Atendendo o convite dos amigos, foi candidato a Câmara Municipal de Natal da qual chegou a ser presidente, em 1952, ao lado de Mozart Romano, Felizardo Moura, João Frederico Galvão, Antônio Félix e outros. Iniciou aí a sua carreira política vitoriosa.


Em 1964, foi eleito presidente da Confederação Nacional do Comércio sendo reeleito por três vezes consecutivas.


O Senador Jessé Pinto Freire faleceu em 13 de outubro de 1980. Costumava definir a política como "uma dinâmica que o homem possui para, desenvolvendo as suas qualidades intrínsecas, poder trabalhar pelo bem comum".