sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Famílias Ferreira Nobre, Seabra de Mello e Pelinca: apontamentos genealógicos

             Manoel Ferreira Nobre - Memorialista Potiguar, escreveu o livro Breve Notícia sobre a Província do Rio Grande do Norte, é neto do tenente coronel Vicente Ferreira Nobre.

O tenente coronel Vicente Ferreira Nobre era natural da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Natal/RN, onde nasceu provavelmente em 1777 e falecido em 15 de outubro de 1861, aos 84 anos de idade. Era filho do casal Francisco Xavier Barbosa, natural do Rio Grande do Norte, nascido por volta de 1752 e falecido em 24 de dezembro de 1795 com 43 anos de idade, e Rita Maria de Jesus, natural do Estado de Pernambuco, casados em 01 de novembro de 1770 na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. O capitão Vicente Ferreira Nobre destacou-se no episódio do qual decorreu a renúncia do primeiro presidente da província (estado) do Rio Grande do Norte – Thomaz de Araújo Pereira.

Contraiu matrimônio por volta do ano de 1797 com Ana Rosa de Azevedo, nascida provavelmente em 1785 e falecida em 1867 com 82 anos de idade, filha de Manoel Antônio de Azevedo, natural de Basto, do Arcebispado de Braga, Portugal, e de Francisca Antônia de Melo, nascida por volta de 1762 e falecida em 24 de setembro de 1827, estes casados em 04 de novembro de 1773, neta paterna de Baltazar Gonçalves e de Francisca da Silva, naturais de Portugal, e neta materna de avô incógnito e de Antônia dos Reis.

O casal é tronco das famílias Ferreira Nobre, Seabra de Mello e Pelinca, estabelecidas no estado do Rio Grande do Norte e atualmente desdobradas em outras várias famílias.

1 - Juliana Ferreira Nobre, nascida aos 18 de junho de 1798, batizada aos 29 de junho de 1798, e os padrinhos foram o avô materno e a avó paterna. Juliana permaneceu solteira.

2 - Manoel Ferreira Nobre, batizado aos 01 de julho de 1800, e os padrinhos de Batismo foram o avô materno Manoel Antônio de Azevedo e Inácia Maria, solteira. Contraiu matrimônio aos 02 de julho de 1820 na Matriz de Natal/RN com Inácia Joaquina de Almeida, filha de José do Rego Bezerra, falecido em 01 de maio de 1847, e de Antônia Úrsula de Melo, estes casados em 21 de dezembro de 1802, neta paterna de Braz de Almeida Botelho e de Joana do Rego Bezerra, neta materno do capitão José da Costa Pereira e de Inácia Úrsula de Melo, estes casados em 21 de novembro de 1772, bisneta materna (Por parte do avô materno) de Simão Pereira da Costa, natural de Portugal, e de Francisca Barbosa Aranha Valcácer, e bisneta materna (Por parte da avó materna) de Alexandre de Melo Pinto e Brázia Tavares Fonseca, sendo o casamento celebrado pelo Pe. Francisco Antônio Lumachi de Melo, perante as testemunhas o governador José Inácio Borges e o Juiz José do Rego Bezerra.

              Do casamento de Manoel Ferreira Nobre com Inácia Joaquina de Almeida nasceram os filhos:

               a) Manoel Ferreira Nobre, memorialista e escritor, que na casa de residência de Maria de Andrade contraiu matrimônio às 19 horas do dia 02 de maio de 1842, com Olímpia Geralda de Andrade, filha natural de Inês Cipriana Geralda de Andrade, e o celebrante do casamento foi o Pe. Bartolomeu da Rocha Fagundes, perante as testemunhas Basílio Quaresma Torreão e Antônio José de Moura.

               b) Francisca Ferreira Nobre, que casou aos 18 de agosto de 1837 com João Gomes da Silva, filho de Manoel Gomes da Silva, já falecido, e de Joana Batista Xavier, e o celebrante foi o Pe. Simão Judas Tadeu, perante as testemunhas João José Ribeiro de Aguiar e Antônio de Cerqueira de Carvalho.

              c) Maria Ferreira Nobre, que casou aos 25 de agosto de 1839 com o próprio tio paterno legítimo João Ferreira Nobre, filho do capitão Vicente Ferreira Nobre e de Ana Rosa de Azevedo, e o casamento foi celebrado pelo Padre Alexandre Ferreira Nobre, perante as testemunhas Joaquim Ferreira Nobre Pelinca e Antônio Rafael Seabra de Melo.

3 - Vitorino Ferreira Nobre, nascido aos 15 de outubro de 1802, batizado aos 02 de novembro de 1802, e os padrinhos foram o capitão mor Geraldo Saraiva de Moura, morador no Apodi (Por procuração de Manoel de Torres Frazão, filho de Antônio da Câmara e Silva), e Aguida Maria de Albuquerque, por procuração que apresentou o seu esposo Manoel José da Costa Monteiro, naturais do Estado de Pernambuco.

4 - Joaquim Ferreira Nobre Pelinca, batizado aos 10 de agosto de 1805 na Matriz de Natal pelo Pe. Simão Judas Tadeu, e os padrinhos foram o capitão Antônio Ferreira, casado, e Joana Batista de Azevedo, solteira. Joaquim Ferreira Nobre Pelinca contraiu matrimônio contra a vontade de seu pai, conforme consta curiosamente da certidão de matrimônio na data de 08 de novembro de 1830, com Bernadina Luíza da Conceição, filha de Manoel Joaquim Ribeiro e de Isabel de Barros da Cunha Caminha, e o celebrante foi o Pe. Manoel Pinto de Castro, perante as testemunhas Joaquim Xavier Garcia de Almeida e José Lucas Soares Raposo da Câmara.


Dos filhos de Joaquim Ferreira Nobre Pelinca com Bernardina Lúcia, se tem conhecimento de:

a) Olívia Ovídia Ferreira Nobre Pelinca, que nasceu aos 3 de junho de 1831, foi batizada aos 05 de junho de 1831 pelo Vigário Interino Antônio Xavier Garcia de Almeida, e os Padrinhos foram o Tio Paterno Antônio Ferreira Nobre, solteiro, e Maria Benedita de Melo.

Olívia Ovídia Ferreira Nobre Pelinca casou em 1º matrimônio com Porfírio Antônio do Amaral, filho de Lourenço Antônio do Amaral e de Joana Batista. Do 1º matrimônio nasceu a filha Inácia Cândida do Amaral, que foi a mãe de José Augusto Varela, que foi Prefeito de Natal de 1943 à 1946, e governador do Rio Grande do Norte de 1947 à 1951. Olívia Ovídia Ferreira Nobre Pelinca casou em 2º matrimônio com João Tertuliano de Magalhães, que depois do seu 2º matrimônio passou a se assinar Olívia Ovídia Pelinca de Magalhães. São os bisavós de Inácio Magalhães de Sena, do Ceará-Mirim-RN.


b) Padre Luiz Ferreira Nobre Pelinca, que nasceu aos 05 de junho de 1841, foi batizado na Matriz de Natal pelo Vigário Bartolomeu da Rocha Fagundes, e os Padrinhos foram o casal Manoel Machado de Miranda Henriques e Inácia Francisca de Melo.

5 - Alexandre Ferreira Nobre, Padre, batizado aos 18 de julho de 1813 na Matriz pelo Pe. João Gomes de Melo, e os padrinhos foram os avós maternos Manoel Antônio de Azevedo e Francisca Antônia de Melo. Embora religioso, o padre Alexandre deixou enorme descendência que atualmente se espalha por toda região da Grande Natal.


O Padre Alexandre Ferreira Nobre teve um relacionamento com Maria Cândida de Aguiar, e resultou no nascimento dos seguintes filhos:

a) Alexandre Idalino Ferreira Nobre, que casou aos 08 de abril de 1872 no lugar Poço Limpo da Freguesia de São Gonçalo do Amarante com Josefa Florentina Correia, filha natural de Eduwirgens Florentina da Rocha.

b) Vicente Ferreira Nobre, que reproduzia o nome completo do avô paterno, nasceu por volta de 1862 e contraiu mantrimônio na idade de 20 anos em 06 de fevereiro de 1883 no Guarapes em Macaíba com Joana Batista Ferreira do Lago, com 15 anos no ato do matrimônio, filha natural de Maria Belmira Teixeira de Melo.

c) Belmira Cândida Ferreira Nobre, que casou aos 25 de outubro de 1880 com Antônio Vilela Cid, já viúvo de Francisca Dias.

d) Ilarião Ferreira Nobre casado aos 24 de janeiro de 1888 na capela da Igreja Nova com Joaquina Gomes da Silva, filha de João Carneiro da Cunha e de Josefa Quintiliana da Silva.

e) João Capistrano Ferreira Nobre, que casou aos 23 de abril de 1879 em Macaíba com Luíza Benedita Nunes de Oliveira Tavares, filha de Antônio Martins da Silva e de Maria Rosa de Oliveira.

O casal João Capistrano Ferreira Nobre e Luíza foi o Tronco da Família Capistrano, e seus filhos foram:

e) 1- Francisco Capistano, que casou aos 30 de julho de 1913 com Idalina Ferreira Nobre, filha de Hilarião Ferreira Gomes e de Joaquina Gomes.

e) 2- Idalina Ferreira Nobre, natural de Macaíba, casada em 1º matrimônio com João Ribeiro da Silba, e casada em 2º matrimônio na idade de 31 anos em 21 de outubro de 1917 com Leopoldo Batista de Andrade, com 24 anos, filho de João Batista de Andrade e de Francisca Otília de Andrade.

e) 3- Secondina Capistrana Ferreira Nobre, que com 27 anos de idade casou aos 05 de fevereiro de 1916 com Manoel Pascoal Gomes de Lima, também com 27 anos no ato do matrimônio, filho de João Pascoal Gomes de Lima e de Emília Candida Ferreira Nobre, falecidos.

e) 4- Sandoval Capistrano, natural de São Gonçalo do Amarante, casou em 1914 com Isabel Rodrigues Machado, filha de João Alexandrino Rodrigues Machado e de Mariana Joaquina.

 e) 5- João Capistrano Filho, que casou com Joana Fernandes de Macedo, deste casal é filho Benjamin Capistrano que é o pai de Franklin Capistrano, vereador em Natal-RN.


e) 6- Antônio Capistramo Ferreira Nobre, que casou com Genésia Batista.

 6 - Alexandrina Francelina Ferreira Nobre, irmã gêmea do padre Alexandre Ferreira Nobre, foi batizada aos 18 de julho de 1813 na Matriz pelo padre João Gomes de Melo, sendo padrinhos os irmãos mais velhos Manoel Ferreira Nobre e Juliana Ferreira Nobre. Alexandrina Francelina Ferreira Nobre casou-se na residência de Alexandre Tomaz Seabra de Melo, aos 08 de dezembro de 1849 com Pedro Paulo Vieira de Melo, filho de Nicolau Joaquim de Miranda, natural cidade da Paraíba (João Pessoa), e de Bernarda Florência Vieira, natural de Extremoz/RN, estes casados em 26 de junho de 1827, neto paterno de Antônio José e de Micaela da Silva, e neto materno de Pedro Paulo Vieira e de Ana Antônia de Melo, o casamento foi celebrado pelo padre José Alexandre Gomes de Melo, perante as testemunhas José Alexandre Seabra de Melo e Alexandre Tomaz Seabra de Melo.

Do casamento de Alexandrina Ferreira Nobre com Pedro Paulo Vieira de Melo nasceu a filha Joaquina Vieira de Melo, que por sua vez casou aos 24 de julho de 1886 com Francisco Carlos Pinheiro da Câmara, filho do Coronel Bonifácio Francisco Pinheiro da Câmara.

 7- Maria Ferreira Nobre, batizada aos 04 de setembro de 1814 pelo padre Simão Judas Tadeu, e os padrinhos foram o alferes Antônio Freire de Amorim e a sua mãe Inácia Gomes.

 8 - Rita Ferreira Nobre, batizada aos 12 de setembro de 1822 na Matriz de Natal pelo padre Feliciano José Dorneles, e os padrinhos foram o alferes Luiz Teixeira da Silva (Por procuração do alferes José dos Santos) e Catarina Duarte Xavier (Por procuração de Francisca Ferreira Nobre, sua irmã). Rita Ferreira Nobre contraiu matrimônio com Joaquim José da Costa.

9 - Ana Ferreira Nobre foi batizada aos 18 de fevereiro de 1824 pelo padre Feliciano José Dornelles, e os padrinhos foram Manoel da Silva Pereira e a esposa. Ana Ferreira Nobre contraiu matrimônio aos 18 de julho de 1842 com Miguel Rufino de Souza Caldas, viúvo de Quitéria Joaquina de Souza, e filho de Antônio José de Souza Caldas e de Josefa Maria de Nazareth. O casamento foi realizado em casa de residência de seu irmão Joaquim Ferreira Nobre Pelinca, celebrado pelo padre Alexandre Ferreira Nobre com licença do padre João Leite de Pinho, perante as testemunhas Tomaz Cardoso de Almeida e Rafael Arcanjo Galvão.

10 – João Ferreira Nobre, que casou aos 25 de agosto de 1839 com a sobrinha Maria Ferreira Nobre, filha de Manoel Ferreira Nobre e de Inácia Joaquina de Almeida, sendo celebrante o padre Alexandre Ferreira Nobre, irmão do noivo e tio legítimo da noiva, perante as testemunhas Joaquim Ferreira Nobre Pelinca e Antônio Rafael Seabra de Melo.

11- Clara Ferreira Nobre, casada aos 17 de agosto de 1833 na Matriz de Natal/RN com Alexandre Tomaz Seabra de Melo, filho do capitão mor José Alexandre Gomes de Melo e de Joana Evangelista Seabra, o celebrante foi o padre Manoel Pinto de Castro, perante as testemunhas José Alexandre Seabra de Melo e Joaquim José Pinto, casados, com dispensa de parentesco de sanguinidade no 4º grau.

12 - Joana Ferreira Nobre, casada aos 23 de maio de 1839 na casa paterna com Antônio Rafael Seabra de Melo, filho do capitão mor José Alexandre Gomes de Melo e de Joana Evangelista Seabra, e o celebrante foi o padre Alexandre Ferreira Nobre, perante as testemunhas Dr. Basílio Quaresma Torreão e o capitão José Alexandre Seabra de Melo.

13 - Vicente Ferreira Nobre Filho, nascido por volta de 1810 e falecido aos 13 de junho de 1896 com 86 anos de idade, casado com Joana Rodrigues Teixeira, nascida em 1818 e falecida aos 28 de abril de 1862 com 44 anos de idade.


Filhos de Vicente Ferreira Nobre Filho e de Joana Rodrigues Teixeira que se tem conhecimento:

a) Matilde Ferreira Nobre, que casou aos 14 de fevereiro de 1879 em Ceará – Mirim com Joaquim Soares de Morais, filho natural de Isabel Maria da Apresentação.

b) Francisco Ferreira Nobre, que casou aos 16 de dezembro de 1876 em Ceará – Mirim com Genésia Gomes Soares da Câmara.

14 – Antônio Ferreira Nobre, que foi Tenente de Cavalaria.

15 - Tomaz Ferreira Nobre, que teve um relacionamento com Vicência Maria da Conceição, e daí nasceu aos 30 de janeiro de 1859 a filha Águeda, batizada aos 19 de fevereiro de 1859, e os Padrinhos dela foram João Leite de Pinho Júnior (Filho do Padre João Leite de Pinho) e a esposa Inácia Soares de Melo.
                 

Academia Apodiense de Letras despejada de sua sede.

Como sócio correspondente da Academia Apodiense de Letras, desde 2012, entidade cultural fundada no dia 23 de março de 2006, apresento o meu repúdio pelo ato de despejo da sua sede (Casa de Cultura Popular) sofrido pela instituição cujos crimes são: contribuir com o desenvolvimento cultural da cidade do Apodi; destacar a memória desta terra; estimular a produção literária, artística, cientifica e ao espírito humanista, valorizando a sabedoria prática e a tradição oral de homens e mulheres acadêmicos do saber e da Cultura Potiguar. Também apresento aos caros confrades da Academia Apodiense de Letras, em especial ao seu digno e operoso presidente Dr. Marcos Pinto, a minha irrestrita solidariedade. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Genealogia de Djalma Maranhão

                                                    Djalma Maranhão em frente ao Solar Ferreiro Torto. Macaíba/RN. 



A pesquisa genealógica é algo fascinante e ao mesmo tempo um trabalho solitário. Procurar reconstituir gerações, ligar nomes, buscar origens e determinar ascendentes e descendentes torna-se extremamente difícil quando dados são omitidos até mesmo por registros oficiais, o pesquisador tem que ter a sensibilidade e o tempo para buscar todas as alternativas para o desfecho do objeto pesquisado.

Nesse sentindo, desde o ano de 2012 que me debruço nos arquivos paroquiais das cidades de São José de Mipibú, Arez e Nísia Floresta coligindo dados que atestem a ligação genealógica do prefeito Djalma de Carvalho Maranhão com a figura lendária de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, um dos fundadores da cidade do Natal, conquistador do Maranhão e fundador da Casa Hereditária de Cunhaú, no Rio Grande do Norte.

Tradição oral e mesmo o sobrenome Maranhão afirmavam essa ascendência, contudo, até hoje não se tinha a ligação definitiva de Djalma com Jerônimo, nem sabia-se a qual ramo dos Albuquerque Maranhão estava ligado a família de Djalma.

Intrigado, ao iniciarmos a pesquisa nos arquivos paroquiais mencionados, chegamos ao casamento dos pais de Djalma Maranhão realizado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Ceará-Mirim aos 08 de janeiro de 1909. O documento aponta os nomes dos noivos: Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salomé de Carvalho Hugo.

O noivo era filho do casal Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, natural de Papary, atual cidade de Nísia Floresta e casado com Cândida Filomila de Sales na Matriz de Santana e São Joaquim de São José de Mipibú aos 19 de abril de 1875. A noiva filha de Joaquim Hugo de Moura Carvalho e de sua segunda esposa Rosina Mousinho.

Seguindo a linha genealógica da família Albuquerque Maranhão, objeto deste estudo, temos que Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão era filho de Inácio de Albuquerque Maranhão, conhecido por Inácio de Belém, numa referencia a um de seus engenhos em São José de Mipibú/RN. Oficialmente, Inácio de Belém foi casado com sua prima Firmina Leopoldina de Albuquerque Maranhão e deste casamento houve uma única filha chamada Firmina de Albuquerque Maranhão, que por sua vez casou com o primo Dr. Antônio Felipe de Albuquerque Maranhão.

Acontece que o coronel Inácio de Belém teve outros dois filhos que foram Luís Roque e Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, justamente o avô paterno de Djalma Maranhão. Os dois eram filhos de Joaquina Felismina dos Prazeres. Esses dados o historiador não os encontra em documento tido como oficial a exemplo dos arquivados nas paróquias. A comprovação veio através de um antigo livro: A Casa de Cunhaú, escrito em 1956, por João de Albuquerque Maranhão e que acrescenta que Inácio de Belém legitimou os dois filhos e legou-lhes engenhos São Roque, Ribeiro e Mipibú no vale do Capió.

Estabelecido esse elo, determinamos com segurança a ascendência paterna de Djalma Maranhão até Jerônimo de Albuquerque Maranhão. Djalma de Carvalho Maranhão é um cunhauzeiro legítimo, ou seja, descendente da Casa Hereditária de Cunhaú. Vejamos, Inácio de Belém era filho de João de Albuquerque Maranhão do engenho Miriri, com Antônia Josefa de Albuquerque Maranhão, irmã de Andrezinho de Cunhaú, revolucionário e herói de 1817 no RN.

Djalma Maranhão trouxe no sangue o passado heroico e a luta pela liberdade que marcaram as gerações iniciais da família. Em sua época as armas foram diferentes. Foi jornalista combatente e político ligado ao povo mais simples, aos quais procurou educar através de uma campanha que marcou época e foi buscar neles a inspiração primeira da sua administração que até hoje, decorridos mais de 50 anos, permanece viva na memória da sua cidade.


Pintura a óleo representando Inácio de A. Maranhão, senhor do engenho Belém, em São José de Mipibú/RN.


Árvore genealógica resumida de Djalma de Carvalho Maranhão.

Jerônimo de Albuquerque Maranhão *Olinda/PE 1548 +Engenho Cunhaú (RN) 1624, casado com D. Catarina Pinheiro Feijó, são os pais de;

Matias de Albuquerque Maranhão *Olinda/PE 1580 +Cunhaú (RN) 09-06-1685 casado com Isabel da Câmara, pais de;

Afonso de Albuquerque Maranhão casado com Isabel de Barros Pacheco, pais de;

Gaspar de Albuquerque Maranhão, Senhor Hereditário da Casa de Cunhaú, casado com Luzia Vieira de Sá, pais de;

André de Albuquerque Maranhão *1742 +1806 senhor hereditário da Casa de Cunhaú, fidalgo cavaleiro da casa real, casou-se em 1768 com D. Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro, são os pais de;

Antônia Josefa de Albuquerque Maranhão casada com João de A. Maranhão de Miriri/PB são os pais de:

Inácio de Albuquerque Maranhão que com Joaquina Felismina dos Prazeres, são os pais de:

Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão casado com Cândida Filomila de Sales são os pais de:

Luís Inácio de A. Maranhão casado com Maria Salomé de Carvalho Hugo, pais de:

Djalma de Carvalho Maranhão
Luís Inácio de A. Maranhão Filho
Natércia Maranhão
Clóvis Maranhão
Cândida Maranhão Otero

Com este artigo, homenageio a memória de Djalma Maranhão no ano do seu centenário, legando aos pesquisadores de sua biografia a sua ascendência paterna, agora estabelecida.

Adendo para a genealogia de Djalma Maranhão:


Batistério de Djalma Maranhão


Termo de bastimo de Djalma Maranhão encontrado na cidade de Taipú/RN. Livro de Batizados (1917-1918) de Taipu – RN, p. 17 v

Encontrei o termo de batismo de Djalma Maranhão: Não está em Natal e nem em Ceará – Mirim, e sim em Taipu/RN.

DJALMA MARANHÃO nascido aos 01 de novembro de 1915, batizado aos 25 de novembro de 1915 na Matriz de Taipu pelo Padre Luiz Bertoldo, e os padrinhos foram Leônidas de Paula e Maria Leonor de Carvalho.

               
         Registro de casamento de Djalma Maranhão e Dária Cavalcanti de Souza, datado de 24 de novembro de 1942. Registro de ordem número 5, páginas 24 e 24 (verso) do Livro de Casamentos do período de 1942 a 1944 de Natal/RN.

 Aos vinte e quatro dias do mês de janeiro de mil novecentos e quarenta e dois, às 17 horas nesta paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, nesta Igreja Catedral, aí presentes o ministro celebrante Padre Severino Bezerra, pró-vigário da referida paróquia, e das testemunhas por fim deste assinadas, celebrou-se o casamento de DJALMA MARANHÃO, com vinte e cinco anos de idade, de profissão comerciante, domiciliado em Natal, e residente à av. Deodoro, nº 541, com DÁRIA CAVALCANTI DE SOUSA, com vinte e quatro anos de idade, de profissão doméstica, domiciliada em Natal, e residente à av. Rio Bancos, nº 608. O nubente, solteiro, nasceu em Ceará-Mirim, a 27 de novembro de 1915, e foi batizado a 25 de novembro de 1916, filho de Luiz Maranhão, já falecido, natural de São José de Mipibú, com 54 anos, e de Maria Salomé Maranhão, natural de Ceará-Mirim; a nubente, solteira, nasceu em Natal, a 25 de outubro de 1916, e batizada no mesmo ano, filha de Otacílio Costa Filho, falecido, natural de Sergipe, e de Leopoldina Cavalcanti de Sousa, natural de Natal, profissão doméstica, domiciliada e residente à av. Rio Banco, 608. Foram testemunhas Dr. Francisco Ivo Cavalcanti e Zelda Cavalcanti. Pe. Severino Bezerra – Pré Vigário da Catedral.

          O pai de Djalma Maranhão:

          Luís Inácio de Albuquerque Maranhão, natural de Papary/RN, nascido em 15 de março de 1883, batizado aos 13 de agosto de 1883 e falecido em dezembro de 1941 com 58 anos de idade, e de Maria Salomé de Carvalho Hugo, natural de Ceará-Mirim/RN, nascida aos 22 de outubro de 1886, batizada 04 de fevereiro de 1887. Casados em 08 de janeiro de 1909 em Ceará-Mirim/RN.

           Batistério de Luís Inácio de Albuquerque Maranhão

Aos trese de Agosto de mil oito centos e oitenta e tres, baptizei solemnemente a LUIS, nascido a quinse de Março; pais: Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão e Candida de Albuquerque Maranhão. PP. Thomaz Antonio de Melo e Leopoldina Ramos de Melo. E para constar faço este escrever. Pe. José Hermino da Silveira Borges . Vigário Encomendado.

Registro do casamento de Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salomé de Carvalho Hugo:

Aos oito de janeiro de mil novecentos e nove, na Matriz do Ceará-Mirim, perante as testemunhas Felismino do Rego Dantas Noronha e Antonio Leonidas do Rego Noronha, se receberão em matrimonio meus Parochiannos LUIS IGNACIO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO e MARIA SALOMÉ DE CARVALHO HUGO, solteiros, elle, natural da Freguesia de Papary, com 26 anos de idade incompletos, filho legitimo de Joauim Felismino de Albuquerque Maranhão e Candida Philomena de Albuquerque Maranhão, fallecidos; ella natural desta Freguezia do Ceará – Mirim com 22 anos completos, filha legitima de Joaquim Hugo de Moura Carvalho e Rosina de Carvalho Hugo. De que para constar fis este assento que assigno. O Vigrº Pe. Agnello Fernandes.

            Avós paternos de Djalma Maranhão:

           Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, natural de Papary, Atual cidade de Nísia Floresta – RN, nascido em 20 de dezembro de 1855 e falecido em 25 de maio de 1904 com 48 anos de idade, e Cândida Filomila de Sales, nascida aos 31 de maio de 1852, batizada aos 18 de julho de 1852, e falecida em 02 de agosto de 1892 com 40 anos de idade, casados em 19 de abril de 1875 na Matriz de São José de Mipibu – RN.

            Avós maternos de Djalma Maranhão:

           Joaquim Hugo de Moura Carvalho, natural de Arêz/RN, e a 2ª esposa Rosinda Francisca Mousinho, natural de Touros/RN, casados aos 01 de agosto de 1885 na Matriz de Ceará-Mirim/RN.


           Bisavós paternos de Djalma Maranhão:

        1- Inácio de Albuquerque Maranhão, falecido em fevereiro de 1873, o Inácio de Belém, e Joaquina Felismina dos Prazeres, pais de Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão.

       2- Alexandre Francisco de Sales e Silva, nascido em 03 de agosto de 1813, batizado aos 20 de agosto de 1813 em São José de Mipibu - RN e falecido em 11 de fevereiro de 1883 com 69 anos de idade, e Cândida Lúcia da Encarnação, nascida em 25 de outubro de 1813 e falecida em 28 de abril de 1877 com 64 anos de idade, pais de Cândida Filomila de Sales.

       Observação: Alexandre Francisco de Sales e Silva e Cândida Lúcia da Encarnação foram os Bisavós Paternos (Pela parte do Avô) dos irmãos Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales e o Arcebispo Dom Heitor de Araújo Sales.

           Bisavós maternos de Djalma Maranhão:

      1- Veríssimo Lins de Moura e Rita Francelina de Carvalho, naturais de Arez – RN, pais de Joaquim Hugo de Moura Carvalho.    
 

        2- Tiago Josino Ferreira Mousinho, batizado aos 28 de julho de 1815 na Matriz, e Francisca Carneiro da Apresentação, casados em 13 de agosto de 1839 em Ceará – Mirim, pais de Rosina Francisca Mousinho.


Genealogia em linha direta masculina de Djalma Maranhão


      1- Jerônimo de Albuquerque Maranhão
      2- Matias de Albuquerque Maranhão
      3- Afonso de Albuquerque Maranhão
      4- Gaspar de Albuquerque Maranhão
      5- José Felipe de Albuquerque Maranhão
      6- José Felipe de Albuquerque Maranhão Júnior
      7- João de Albuquerque Maranhão, de Miriri
      8- Inácio de Albuquerque Maranhão, de Belém
      9- Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão
      10- Luiz Inácio de Albuquerque Maranhão
      11- Djalma de Carvalho Maranhão.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Dr. Heráclio Villar



Nascido na cidade do Ceará-Mirim, no engenho Cana Brava, aos 23 de novembro de 1893, era filho do casal Joaquina Pereira Mendonça de Araújo Vilar e José Ribeiro Dantas.

Iniciou seus estudos em sua cidade natal, depois passando para o Colégio Santa Luzia, em Mossoró, de onde saiu e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, colando grau na turma de 1912. Ainda durante o 4 ano de faculdade, Heráclio perdeu seu pai e passou a chefe de uma família com cinco irmãos, o que conseguiu escrevendo para jornais de Natal.

Foi Juiz Distrital de Touros/RN, de 1914-16 nomeado pelo governador Alberto Maranhão.

Delegado da 3ª Zona (Região do Seridó), uma das quatro em que o governador Joaquim Ferreira Chaves dividiu o RN objetivando combater o cangaço. Nomeado por ato de 31-12-1914.

Oficial de gabinete do governador Joaquim Ferreira Chaves, por ato de 13-07-1917.

1º Oficial de secretaria do governo do estado, nomeado por Joaquim Ferreira Chaves. Exerceu de 21-03-1918 a 05-04-1920.

Delegado geral do recenseamento no RN, em 1920.

Chefe da seção de estatística da secretaria de estado em 18-01-1923 no governo Antônio José de Mello e Souza.

Redator do jornal A República de 09-01-1925 a 31-12-1927 no governo José Augusto Bezerra de Medeiros.

Membro e 1º Presidente do Conselho Penitenciário do Estado, criado pelo decreto 281, de 13-11-1925 e instalado no dia 15-04-1926 no governo José Augusto Bezerra de Medeiros.

Seu último cargo público foi fiscal de bancos, nomeado pelo governo federal aos 12-06-1931.

Destaca-se ainda o pioneirismo de Heráclio Vilar Ribeiro Dantas na fundação das Cooperativas Rurais de Ceará-Mirim e São José de Mipibú. Confiou-lhe o Bispo Dom José Pereira Alves a presidência da Comissão Central do Cooperativismo.

Casou no dia 29 de setembro de 1915 com Maria Elisa Vilar de Mello, nascida a 08 de junho de 1896 e falecida aos 23 de fevereiro de 1983, filha de Rita de Cássia de Araújo Vilar e José Hemetério Fernandes de Mello.

O casal gerou os seguintes filhos: Alcindo Vilar Ribeiro Dantas, Alcindo Vilar Ribeiro Dantas II, Tereza de Jesus Vilar Ribeiro Dantas, Afrânio Vilar Ribeiro Dantas, Eurídice Vilar Ribeiro Dantas, Ruth Vilar Ribeiro Dantas, Elizabete Vilar Ribeiro Dantas, João Vilar Ribeiro Dantas, José Heráclio Vilar Ribeiro Dantas.


Na cidade de Macaíba/RN o então prefeito nomeado Estevam Alves Dantas de Araújo, homenageou o ilustre jurista, designando Rua Dr. Heráclio Villar uma artéria que hoje é das mais importantes na cidade. Infelizmente, a grafia do nome do patrono encontra-se errada, assim como outras na cidade. Ao invés de Heráclio tem-se Heráclito Vilar. Seria muito importante uma retificação a bem da verdade!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os irmãos de Manoel Raposo da Câmara

Apresentaremos alguns dados a respeito dos irmãos de Manoel Raposo da Câmara, sendo cinco da primeira família, incluindo Manoel Raposo da Câmara, e três da segunda família, irmãos de Manoel Raposo da Câmara somente por parte de pai.

            Francisco Pereira do Amaral, nascido em 1657, batizado em 22 de outubro de 1657 e falecido em 17 de maio de 1693, com 36 anos de idade, contraiu 1º matrimônio aos 18 de janeiro de 1680, com Josefa da Câmara Pereira, nascida provavelmente em 1663, e falecida em 29 de janeiro de 1688 na provável idade de 24 anos; Francisco Pereira do Amaral contraiu 2º matrimônio em 03 de junho de 1688, com Vitória de Bitencourt, falecida em 06 de janeiro de 1697.

           I- Filhos do 1º casamento de Francisco Pereira do Amaral com Josefa da Câmara Pereira:

           1- Maria do Corpo de Cristo, que foi freira no Convento da Esperança, de Ponta Delgada, Portugal, batizada em 29 de setembro de 1680 pelo Capitão João Borges em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padre Lázaro Pereira fez os exorcismos, e o padrinho de batismo foi o mesmo Capitão João Borges;

           2- Bárbara Rosa de Jesus, batizada em 14 de dezembro de 1681 pelo Padre Manoel de Sampaio em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o padrinho de batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros.  

           3- Antônia da Câmara, batizada aos 06 de novembro de 1683, pelo Padre Manoel Alves Cabral em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, sendo Padrinho o Capitão Jerônimo da Câmara Coutinho, esposo de sua tia paterna em 2º grau Bárbara Lobo Cabral, esta Irmã de Isabel do Amaral Lobo, avó paterna.   
   
           4- André Pereira da Câmara e Amaral, batizado em 06 de dezembro de 1685 pelo Padre Lázaro Pereira da Silveira em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e os padrinhos de batismo foram o tio materno Gonçalo Pereira da Câmara e a avó materna Maria Leite da Câmara.

           André Pereira da Câmara e Amaral contraiu matrimônio na idade de 23 anos em 12 de abril de 1708, na Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada com Maria da Silva Câmara, filha de Gonçalo da Câmara da Silva e de Mariana de Gusmão, e o casamento foi celebrado pelo Padre Gonçalo Pereira da Câmara, tio materno, e as testemunhas foram o Capitão Bento Pacheco da Mota e o Capitão Rui Pereira do Amaral. André Pereira da Câmara e Amaral foi o penúltimo filho do casal Francisco Pereira do Amaral com a 1ª esposa Josefa da Câmara Pereira, já que esta faleceu de parto aos 29 de janeiro de 1688, e por alguma razão desconhecida Manoel Raposo da Câmara mesmo tendo sido o último filho do referido casal Francisco Pereira do Amaral e Josefa da Câmara, teve direito a herdar as rendas do Morgadio, quando na realidade o direito a herança era relativo apenas ao filho mais velho do referido casal na linhagem masculina, e André Pereira da Câmara era 1 ano mais velho do que o seu irmão Manoel Raposo da Câmara.

           05- Manoel Raposo da Câmara, nascido em 1686, batizado aos 23 de dezembro de 1686 na Freguesia de São Sebastião de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Região dos Açores, Portugal, e falecido no Estado do Rio Grande do Norte talvez no ano de 1765 com a possível idade de 79 anos, casado na provável idade de 23 anos em 06 de outubro de 1709 na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Natal – RN com Antônia da Silva, com cerca de 14 anos na ocasião do matrimônio, batizada aos 24 de janeiro de 1696 em Natal - RN, e falecida em 25 de julho de 1785 na idade de 90 anos, filha do Alferes Antônio da Silva de Carvalho e de Suzana de Oliveira de Melo.
   
         II- Filhos do 2º casamento de Francisco Pereira do Amaral e sua segunda esposa Vitória de Bittencourt:


        1- José Pereira do Amaral, batizado em 26 de março de 1689 pelo Padre Pedro Botelho de Azevedo em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros de Albuquerque.

        2- Francisco Pereira de Bittencourt, nascido em 1690 e falecido em 29 de novembro de 1753 com 63 anos de idade, batizado em 28 de abril de 1690 pelo Padre Pedro Botelho de Azevedo em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros de Albuquerque.

        Francisco Pereira de Bittencourt contraiu 1º matrimônio aos 24 de julho de 1715 com Francisca Antônia de Medeiros, batizada em 02 de junho de 1687 em Ponta Delgada e falecida em 05 de abril de 1735, filha de Francisco da Costa Coutinho e de Bárbara Muniz de Medeiros, e o casamento foi celebrado pelo Padre Cristovão Soares de Melo, e as testemunhas foram Francisco Raposo e Agostinho Pacheco.

        Francisco Pereira de Bittencourt contraiu 2º matrimônio aos 26 de maio de 1737 com Bárbara Francisca de Medeiros, falecida em 30 de agosto de 1758, já viúva de Francisco Rodrigues, e filha de Manoel de Paiva Homem e de Ângela de Medeiros, e o casamento foi celebrado pelo Padre André Martins de Vasconcelos, e as testemunhas foram o Padre Antônio de Medeiros e Vasconcelos e Sebastião do Rego.

        3- Rosa Pereira de Bittencourt e Sá, batizada em 22 de dezembro de 1691 pelo Padre Antônio Carrero em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi Lourenço Pereira. Contraiu matrimônio com Manoel Vieira.    
    
            Nos artigos de Luís da Câmara Cascudo ele analisa a hipótese do português Miguel Raposo de Melo ter sido parente bem próximo de Manoel Raposo da Câmara, talvez irmão ou primo legítimo.

            Na realidade o português Miguel Raposo de Melo é natural do mesmo lugar que Manoel Raposo da Câmara, mas não existiu parentesco próximo entre eles.

            Veja a genealogia do português Miguel Raposo de Melo: Nascido em 1694 e falecido em 16 de fevereiro de 1763 com 69 anos de idade no Estado do Rio Grande do Norte, foi batizado aos 21 de fevereiro de 1694, era filho de João Cabral, batizado aos 01 de junho de 1664, e de Maria Pacheco, casados em 22 de maio de 1688, neto paterno de Sebastião Vieira, batizado em 24 de janeiro de 1638, e de Isabel Cabral de Melo, casados em 04 de agosto de 1661, neto materno de Antônio Pacheco e de Luzia Raposo, Bisneto Paterno (Pela parte do avô) de André Gonçalves e de Maria Alves, casados em 04 de outubro de 1629, Bisneto Paterno (Pela parte da avó) de Matias Cabral e de Maria de Morim, casados aos 16 de janeiro de 1622, Bisneto Materno (Pela parte do avô) de João de Melo e de Maria Pacheco.

           A descendência do português Miguel Raposo de Melo no geral é desconhecida, já que se conhece apenas o nome de 3 filhos, e eles foram do 1º matrimônio dele, e já do 2º matrimônio  não se sabe o nome de nenhum filho.

          O português Miguel Raposo de Melo casou em 1º matrimônio aos 25 de outubro de 1723 na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Natal com Maria José de Oliveira, filha de Matias Quaresma e de Águida de Oliveira, em presença das testemunhas Alferes Vicente Dias da Nova, o Capitão Pedro Gonçalves da Nova, Antônia da Silva (Esposa do português Manoel Raposo da Câmara), e Inácia de Oliveira (Esposa do Cabo José da Rosa), e o celebrante do casamento foi o Padre Matias Florêncio.

         O português Miguel Raposo de Melo casou em 2º matrimônio aos 09 de maio de 1748 com Catarina Cardoso, natural de Recife – PE, filha de Manoel Pacheco e de Antônia de Freitas, e as testemunhas foram Inácio de Souza Rocha Branco e Manoel Roldão.

         Do 1º casamento de Miguel Raposo de Melo com Maria José de Oliveira se conhece três filhos abaixo citados:     

          a) Antônio Raposo de Melo, que casou em 03 de junho de 1749 com Tereza Maria, falecida em 24 de julho de 1790, filha de Francisco Pinto e de Plácida Rodrigues de Melo. 
         b) Valentim Raposo de Melo, casado em 05 de julho de 1758 com Maria do Rosário, filha de Matias Ferreira da Costa e de Luíza Maria do Desterro, casados em 28 de janeiro de 1737, neta paterna de Dionísio da Costa e de Madalena Martins, e neta materna de João Ferreira e de Tereza de Jesus de Andrade.

         c) Tereza Antônia de Jesus, casada em 26 de novembro de 1755 com Manoel de Araújo, natural do Estado de Pernambuco, filho de Manoel de Araújo Baracho e de Antônia de Freitas.

         Encontrei o registro de casamento do Capitão de Infantaria José Barbosa de Gouveia, nascido por volta de 1716 e falecido aos 28 de janeiro de 1796 com a idade aproximada de 80 anos, português que veio para o Brasil, onde casou com Quitéria Tereza de Jesus, e o casal foram os Avós Paternos do Capitão de Infantaria Vicente Ferreira Nobre.


        Interessante observar como o fazer genealógico pode ser complicado: Os pais do Capitão José Barbosa de Gouveia não tinham o sobrenome Gouveia, que foram Domingos Barbosa Correia e Antônia de Souza Rangel, que foi batizada em 04 de março de 1684, casados em 09 de fevereiro de 1707, mas o avô paterno tinha o sobrenome GOUVEIA, que foi Roque de Gouveia, batizado em 24 de agosto de 1639, que casou em 28 de dezembro de 1670 com Iria de Benavides, batizada em 20 de maio de 1649. Genealogia é difícil e foge um pouco da compreensão e da lógica, já que nem sempre os sobrenomes dos filhos eram os mesmos sobrenomes dos pais, e na genealogia antiga as coisas eram assim mesmo.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Guardião dos quatrocentões



Guardião dos quatrocentões

Publicação: 2015-07-08 00:00:00 | Comentários: 0

Yuno Silva
Repórter

A trajetória dos Albuquerque Maranhão se confunde com a história do Rio Grande do Norte, um passado de lembranças rarefeitas desconhecido para a maioria dos potiguares. Muito além de emprestar o sobrenome para batizar ruas, praças e teatro, a família está envolvida com este pedaço de chão na esquina do continente desde o século 16, personagens ilustres que protagonizaram episódios cruciais para a própria existência do 'elefante' e de sua capital. O legado de nomes como Jerônimo e André de Alquerque Maranhão, Alberto Maranhão, Pedro Velho, Augusto Severo e Augusto Tavares de Lyra integram a identidade cultural do povo potiguar, e boa parte da documentação que detalha tais feitos está sob a guarda do pesquisador e historiador Anderson Tavares de Lyra.

Quinta geração que descende de Luzia Antônia, irmã de André, Anderson, de 35 anos, já defendeu dissertação de Mestrado sobre o trisavô Augusto Tavares de Lyra (1872-1958) e atualmente está dedicado a pesquisas para tese de Doutorado sobre Alberto Maranhão (1872-1944).

Neste próximo sábado (11), às 14h, ele profere palestra gratuita no auditório da livraria Saraiva do shopping Midway Mall, onde destrincha a genealogia da família e destaca os feitos de seu tio-tetra-avô André de Albuquerque Maranhão (1775/1780-1817), chefe da Revolução Pernambucana de 1817 no RN  e Senhor de Cunhaú em Canguaretama. “Basicamente vou falar sobre duas coisas: a primeira é esclarecer quais os dois ramos da família, e a segunda quem é dizer foi André de Albuquerque”, adianta o pesquisador.

Do lado do ramo pernambucano da família Albuquerque Maranhão estão o aviador Augusto Severo, o político Alberto Maranhão e o militar Pedro Velho. “O bisavô deles saiu de Cunhaú, foi para Nazaré da Mata e depois voltou para o RN se instalando em Macaíba. Foi esse ramo da família que criou o Casarão dos Guarapes, importante entreposto comercial no início entre a metade do século 19 e início do 20. Já o ramo do qual pertenço, de André de Albuquerque e Tavares de Lyra, não saiu do RN”, ensina.

A palestra do dia 11 é gratuita e faz parte da programação do Grupo de Estudos André de Albuquerque Maranhão (GAM), criado no início de 2013 em parceria com núcleo de extensão Grupo de Estudos sobre a Liberdade (GEL) da UFRN. “Sou apenas convidado do GAM”, avisa Anderson.

Consultor de História do RN e do Brasil para os períodos do Império e da República Velha, ele é o atual responsável pelo acervo de Tavares de Lyra e Alberto Maranhão – material que inclui correspondências, documentos, condecorações e fotografias.

Acervo: organização e parceria
Anderson Tavares de Lyra começou a pesquisar aos 13 anos, e já ciente da responsabilidade do sobrenome passou a colher de forma sistemática depoimentos de idosos que tinham convivido com seus familiares ilustres. “Tenho muita coisa, boa parte já identificada e minimamente organizada, mas prefiro não publicar esse acervo na internet de qualquer jeito, perde-se muito da história. Preciso criar maneiras de disponibilizar isso de alguma forma”, disse o historiador.

Ele fundou o Instituto Tavares de Lyra, em Macaíba, para preservar o acervo do trisavô famoso. O Instituto ainda não está funcionando, pois o material ainda precisa ser catalogado para ser consultado. “Pretendo buscar parceria para manter esse acervo. Vou procurar a UFRN e outras instituições que possam ajudar e/ou se interessem”, informou o pesquisador, que também planeja reeditar alguns livros de Tavares de Lyra pelo selo "A Liriana".

“Tavares de Lyra foi o primeiro a escrever sobre a história do RN, depois dele só Câmara Cascudo. O resto é balela”, disse com propriedade.

Historiador alerta para pilhagem de obrasDefensor da memória, Anderson chama atenção para a pilhagem que vem desfalcando monumentos do Centro Histórico. “Estão roubando criminosamente os bronzes de nossas praças, muitos deles vindos da Fundição Du Val D'Osne, de Paris (França). Grande parte foi importado na época que Alberto Maranhão foi governador (1900-1904 e 1908-1914)”, lamentou.

Anderson Tavares de Lyra destacou que a fundição parisiense não existe mais, mas conta que os descendentes trabalham na catalogação das obras. “Entrei em contato com eles, que não sabiam que tinham peças aqui em Natal, enviei muitas fotos que fiz dos monumentos e disse que a maioria foi roubada”.

São dessa época a escultura em bronze de uma índia estrangulando uma cobra instalada no jardim do Palácio Potengi – Pinacoteca do Estado. “Das placas, só restaram a do obelisco da Av. Tavares de Lyra, na Ribeira. As outras foram todas roubadas: na Praça 7 de Setembro e Praça André de Albuquerque, na Cidade Alta; na praça Augusto Severo, Ribeira; e na praça Pedro II no Alecrim. O potiguar não faz ideia da própria história, sabe muito pouco sobre a Segunda Guerra Mundial mesmo com o pessoal da (extinta) Fundação Rampa divulgando bastante”.

Colaborou: Cinthia Lopes - editora

http://tribunadonorte.com.br/noticia/guardia-o-dos-quatrocenta-es/318485

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Augusto Severo apaixonado.


Maria Amélia e Augusto Severo.

Como bem disse Luiz da Câmara Cascudo, estamos habituados a ver Augusto Severo no passadiço do Pax, em glória, voando para a morte. O balão esconde o homem, oculta-o, disfarça-o, deforma-o em sua consagração trágica. O Augusto Severo, homem, apaixonado pela vida, por sua terra, por seus amores, parece querer sumir. Segundo sua sobrinha escritora Mabel Tavares, Severo conquistava sem querer o coração das jovens sonhadoras. Possuía as qualidades admiradas pela juventude de seu tempo: fidalguia de maneiras, belo porte, bom de dança, sorriso sempre franco.

Mabel chega a enumerar algumas paixões do jovem Augusto Severo. Em São José de Mipibú, de passagem no trem, sorria às jovens na estação, destacando-se uma – Bela, cujo verdadeiro nome nunca saberemos. Em Canguaretama, era o enamorado das “mãos fidalgas” da jovem Nana. Na Macaíba, ficou conhecidíssimo seu amor por Maria Júlia Pessoa de Mello, filha do Comendador Umbelino de Mello, inimigo politico dos Albuquerque Maranhão. O namoro foi sustado. Maria Júlia nunca se casou e Severo, depois de ter ido para o Rio de Janeiro estudar, voltou porque enamorara-se de sua tia materna Maria Nazaré, filha do terceiro casamento do seu avô Fabrício Pedroza.

Em Canguaretama, no engenho Ilha do Maranhão, em casa de seu irmão Fabrício Gomes de Albuquerque Maranhão, conheceu a professora de seus sobrinhos – Maria Amélia Teixeira de Araújo. Apaixonado, não esperou o retorno de seu pai que viajava e ele mesmo, quebrando os tabus da época, escreveu a mãe de Maria Amélia, rogando-lhe permissão para namorar sua filha, numa carta emocionante que transcrevemos abaixo:

Exma. Sra. D. Inês Perpetua Teixeira de Araújo

Minha Senhora,

Peço-lhe vênia para ir a sua presença, tratar do que hoje profundamente me interessa, eu que não posso apresentar títulos que me recomendem perante a senhora; nem mesmo os de um ligeiro conhecimento pessoal.

Vi-a, é verdade, tive o prazer de lhe ser apresentado em abril de 1885, em casa do meu cunhado – Juvino; mas então nem sonhava que tivesse de pedir-lhe, de implorar-lhe, o que ora peço e imploro.

Como recomendação única, levo o mais nobre, o mais santo de todos os sentimentos – flor do céu a que Deus permitiu a vida na terra – o Amor.

Inspirou-me, grande e casto, sua boa filha, D. Maria Amélia; tão grande, tão puro que já não poderei viver sem ele.

Peço-lhe pois a mão dela para minha felicidade, porque cifram-se em as doce posse a realização do mais risonho, do único risonho de todos os meus sonhos, o alento para as boas aspirações de minh’alma, sem a qual sinto que morrerei. Peço-lhe, de joelhos minh’alma, como implorando o céu, que dê o seu consentimento partido do coração, que me aceite a mim por filho; a mim que quase desconhece, mas que lhe juro com a consciência branca – não se envergonhará de ter-me por tal.

De meu pai, que a senhora conhece, e de minha santa mãe, tenho a plena aprovação; deles, que de havê-la por filha hão de orgulhar-se, com o orgulho que não macula, que é antes um bom sentimento quando não leva egoísmo, porque lhe reconhecem todas as virtudes – flores d’alma, que na terra só é dado possuir a mulher perfeita.

Pela precipitação da viagem do meu pai, não o incumbi de por mim pedir a senhora, o que agora pedi; não me arrependi, porém, porque não me podia fazer conhecer mais do que sou, e eu, só eu devia pedir a minha felicidade.

Eu devia apresentar-me pessoalmente para este fim, do qual está pendente toda minha felicidade, o meu futuro inteiro; mas sou empregado numa casa comercial, onde me prendem obrigações tão mais fortes, porque estamos agora em meio de safra, principalmente não tendo como não tem por hora, um imediato que me substitua, por alguns dias.

Poderia ir em abril, quando pretendo ir, mas não teria força bastante para conservar até lá, calcado no coração, o sentimento que precisa de seu consentimento para não explodir.

Por Deus, minha senhora, espero que me dará a posse da felicidade.

Se não fosse impelido pela grande força que rege o movimento dos corações, não me afoitaria a tanto.

Junto uma carta, para cuja entrega peço-lhe permissão.

Suplico-lhe que me responda na primeira mala, que pela resposta fica ansioso meu coração.
Como meu único advogado, o Amor – o sempre grande, o Amor – o sempre casto.

Creia, minha senhora (autorize-me a chamar-lhe mãe; como então eu serei feliz!), no profundo respeito que lhe consagra, e na lealdade de quem só pode ser feliz com a doce posse de sua querida filha – D. Maria Amélia.

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão.

Guarapes, 09 de dezembro de 1887.






Macaíba do passado - Casarão de Octacílio de Mello Alecrim



Antigo casarão na Rua da Conceição, onde aconteceu a cerimônia de libertação dos escravos macaibenses, em janeiro de 1888. Pertencia ao coronel da Guarda Nacional Prudente Alecrim e no casarão nasceu em 1906 o escritor Octacílio de Mello Alecrim.